fevereiro 24, 2012

**************** A MALDIÇÃO DO OSCAR


o oscar e faye dunaway
Receber uma indicação ao Oscar, o prêmio máximo da indústria cinematográfica mais influente do mundo, já é uma grande honraria. Ganhá-lo, então, é garantia de uma avalanche de propostas de trabalho, prestígio e muito dinheiro. Porém, inúmeros casos têm mostrado que ganhar a tão cobiçada estátua dourada da Academia de Hollywood nem sempre é vantajoso. Enquanto para uns traduz-se em novos filmes de qualidade e um cachê reforçado, para outros a realidade é bem mais cruel, ou seja, tal reconhecimento tem o seu preço. Nesses casos, o desbunde pós-Oscar trouxe uma série de escolhas profissionais erradas e a conseqüente bancarrota. Fala-se, inclusive, numa suposta MALDIÇÃO DO OSCAR, referindo-se a esses intérpretes premiados que não emplacaram mais sucessos depois de levarem uma estatueta para casa. A lista é imensa, do inglês Robert Donat, ainda nos anos 30, a Faye Dunaway na década de 70. E muitos outros. 

Eles se perderam na própria vaidade ou nos projetos selecionados, enfim, há varias teorias sobre os amaldiçoados pelo Oscar. Como não se lembrar de Hattie McDaniel, que fez um discurso emocionante ao receber o Oscar e nunca mais conseguiu outro papel à altura? Ou do italiano Roberto Benigni, saindo do auge da carreira com “A Vida é Bela / La Vita è Bella” (1997) para a mais completa irrelevância? Quem lembra mais da surda-muda Marleen Matlin, premiada por “Filhos do Silêncio / Children of a Lesser God” (1986)?  E Cuba Gooding Jr.? O papel de um jogador de futebol norte-americano temperamental em “Jerry Maguire – A Grande Virada / Jerry Maguire” (1996) rendeu-lhe o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, mas não conseguiu afastá-lo de uma série de longas constrangedores, de gosto duvidoso. 
Relembre abaixo treze casos de premiados que não conseguiram superar a MALDIÇÃO DO OSCAR:

ROBERT DONAT
donat e greer garson
Grande ator teatral inglês, depois de indicado por “A Cidadela/ The Citadel” (1938) e levar o Oscar por “Adeus, Mr. Chips / Goodbye, Mr. Chips” (1939), só voltaria a filmar em 1942, vítima de asma crônica e forte depressão. Apenas teria destaque outra vez no final dos anos 50, em “A Morada da Sexta Felicididade / The Inn of the Sixth Happiness”, ao lado de Ingrid Bergman, no papel de um velho chinês. Mas morreu antes de vê-lo terminado.

HATTIE McDANIEL
mcdaniel e fay bainter
No curso de sua carreira, apareceu em mais de 300 filmes, tendo seu nome aparecido nos créditos de apenas 80 deles. Por causa dos preconceitos daquela época contra atrizes afro-americanas, ela quase sempre interpretou empregadas. Certa vez disse: "Por que devo reclamar enquanto ganho 700 dólares por semana sendo uma empregada nas telas? Se não fosse uma nas telas, ganharia sete dólares por semana sendo uma de verdade”. A sua estatueta pela Mammy de “...E o Vento Levou / Gone with the Wind” (1939) foi um dos momentos mais especiais do Oscar, afinal ela fez história como a primeira atriz negra a ser premiada. No entanto, mesmo continuando a filmar até 1949 (três anos antes de morrer), não cresceu como atriz, repetindo os mesmos pequenos papéis de criada benevolente, somente destacando-se em “Nascida para o Mal / This Our Life” (1942), como uma dona de casa cujo filho é acusado injustamente por um atropelamento.

KIM HUNTER

A Stella Kowalski de “Uma Rua Chamada Pecado / A Streetcar Named Desire” (1951) deu-lhe o Oscar e o Globo de Ouro, ainda assim a carreira da atriz de 29 anos não deslanchou, sendo incluída na lista negra de Hollywood sob acusação de pertencer ao Partido Comunista durante o período do macartismo. Fez mais alguns filmes e séries para a tevê, voltando a ser notícia mais de quinze anos depois como a Zira de “O Planeta dos Macacos / Planet of the Apes” (1968).

SHIRLEY BOOTH
booth e fredric march
Repetindo a personagem que havia feito na Broadway, levou o Oscar por “A Cruz de Minha Vida / Come Back, Little Sheba” (1952). Num papel pensado para Bette Davis, ganhou com ele também o Globo de Ouro e o prêmio dos Críticos de Nova York. No entanto, a estatueta não foi benéfica para a veterana atriz de teatro. Fez apenas mais quatro filmes, sendo esquecida rapidamente. Terminou voltando para os palcos, ganhando três prêmios Tony.

DONNA REED
frank sinatra e donna reed
Tinha tudo para ser uma estrela. Bela e talentosa, fazia cinema desde 1941, repetindo o mesmo papel de namoradas e esposas respeitáveis, mas por ironia levou o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante como uma prostituta em “A Um Passo da Eternidade / From Here to Eternity” (1953). Então, todos acreditaram que sua carreira cresceria. Aconteceu justamente ao contrário, passando a protagonizar produções baratas e seriados de tevê. Seu único bom momento cinematográfico pós-Oscar aconteceu em “A Última Vez Que Vi Paris / The Last Time I saw Paris” (1954), mas a figura central era a Elizabeth Taylor.

SHIRLEY JONES
hugh griffith e jones
Vinha de dois famosos musicais, “Oklahoma! / Idem” (1955) e “Carrossel / Carousel” (1956), conseguindo a chance de provar que era atriz em “Entre Deus e o Pecado / Elmer Gantry” (1960), como a prostituta Lulu Bains. Levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, mas ficou por aí, direcionando sua carreira para séries de tevê e musicais na Broadway.

GEORGE CHAKIRIS

O Oscar que ele recebeu pelo papel de Bernardo, líder dos “Sharks”, no musical “Amor, Sublime Amor / West Side Story” (1961), foi injusto (estaria mais bem representado por Montgomery Clift ou George C. Scott). Canastrão e nada carismático, fez um ou outro filme, mas não se deu bem nunca mais. Antes participou em vários filmes como dançarino ou membro do coro. Inclusive no famoso número "Diamonds Are a Girl's Best Friend", ao lado de Marilyn Monroe, em “Os Homens Preferem as Loiras / Gentlemen Prefer Blondes”, de 1953. No começo da década de 1960, tornou-se cantor de músicas pop, obtendo relativa repercussão.

PATTY DUKE

Ela tinha dezesseis anos e um belo papel nas mãos em “O Milagre de Annie Sullivan / The Miracle Worker” (1962), o que pouco significou para sua carreira no cinema. No futuro faria programas e séries de tevês, além de filmes descartáveis como “O Vale das Bonecas / Valley of the Dolls” (1967), interpretando uma drogada e alcoólica estrela. Terminou sendo diagnosticada com transtorno bipolar.

TATUM O’NEAL

Aos dez anos recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Lua de Papel / Paper Moon” (1973), de Peter Bogdanovich, tornando-se a pessoa mais jovem a ganhar uma estatueta. Filha do ator Ryan O’Neal, nunca havia trabalhado antes no cinema, o que tornou ainda mais impressionante sua escolha para o prêmio. Ela nunca conseguiu repetir esse sucesso. Um dos culpados pela fragilidade de sua carreira teria sido o próprio pai, que, de acordo com ela, a teria abusado física e psicologicamente por causa do uso de drogas. Em sua adolescência, a própria atriz se viciou em heroína e, em 2008, foi presa comprando crack em Nova York.

LOUISE FLETCHER

O seu prêmio é um dos mais criticados da história da Academia. A favorita era a francesa Isabelle Adjani, fabulosa em “A História de Adele H / L’Histoire d’Adele H”, de Truffaut. Atriz ruim, caricata, Fletcher não protagoniza “Um Estranho no Ninho / One Flew Over the Cuckoo’s Nest” (1975), seu papel da enfermeira Ratched é pequeno, de coadjuvante (tinha sido recusado por Anne Bancroft, Ellen Burstyn e Jane Fonda). Na cerimônia de premiação, ela fez seu discurso em linguagem de sinais, para homenagear seus pais deficientes auditivos. Mas a badalação foi ilusória. Fez escolhas ruins – como “Exorcista II – O Herege / Exorcist II: The Heretic” (1977) – e nunca solidificou sua carreira, especializando-se em megeras e filmecos de terror.

FAYE DUNAWAY

A estrela ganhou o Oscar de Melhor Atriz em 1977 por sua executiva impávida e neurótica em “Rede de Intrigas / Network”, dirigido por Sidney Lumet. Na época, aos 36 anos, estava no auge. Já havia sido indicada por papéis memoráveis em “Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas / Bonnie and Clyde”, em 1967, e “Chinatown / Idem”, em 1974. O reconhecimento da Academia não serviu para manter sua carreira em alta. Passou a fazer filmes de péssima qualidade. Cinco anos após ganhar a estatueta, recebeu o Framboesa de Ouro, paródia do Oscar que premia os piores do ano, por sua exagerada atuação em “Mamãezinha Querida / Mommie Dearest”, de 1981. Depois disso, nunca mais conseguiu um papel decente em Hollywood.

F. MURRAY ABRAHAM
abraham e shirley macLaine
Nem o Oscar por "Amadeus / Idem" (1984), em que interpretou o compositor italiano Antonio Salieri, fez com que o ator deixasse de ser coadjuvante. Ele havia feito papéis menores nos cultuados “Todos os Homens do Presidente / All the President’s Men”, de 1976, e “Scarface / Idem”, de 1983, e logo após receber o prêmio interpretou o vilão de “O Nome da Rosa / Der Name the Rose” (1986), estrelado por Sean Connery. Depois disso, mergulhou em filmes comerciais. Um desperdício para um artista que ganhou o prêmio máximo do cinema norte-americano.

ADRIEN BRODY

Praticamente desconhecido, recebeu em 2003 o Oscar de Melhor Ator por sua atuação no drama de guerra “O Pianista / The Pianist” (2002), de Roman Polanski. Ele perseguia o sucesso fazendo pontas em filmes como “Além da Linha Vermelha / The Thin Red Line”, de 1998, ou “O Verão de Sam / Summer of Sam”, de 1999. Com o Oscar nas mãos e o reconhecimento após um papel de enorme carga dramática, desperdiçou seu talento em filmes abomináveis, participando de uma série de roubadas. Nunca mais se deu bem.

fevereiro 21, 2012

*********** AS ESTRELAS DA WARNER BROS.

doris day
Fundada em 1923 e ainda hoje em atividade, a WARNER BROS. PICTURES é a minha produtora de filmes favorita (seguida de perto pela RKO Radio Pictures). No seu auge, nos anos 30-40, tinha uma visão do mundo que era mais sombria, mais cínica e mais problemática que qualquer outra concorrente. Diretos e realistas, escuros e tensos, seus filmes dessa época falam de questões sociais, traduzem a cultura popular, defendem os explorados e oprimidos. Muitas vezes selvagens, sem limites, enveredam em matanças, diálogos fortes, verdade seminua e descida à escuridão. Especialista em cinebiografias, histórias de gangsteres, aventuras apaixonantes e dramas noir, o estúdio durante muito tempo teve o lendário judeu Jack Warner no comando. Rin-Tin-Tin foi sua primeira estrela, de 1928 a 1933. Depois do simpático cachorro, muitas outras estrelas marcaram a história da WARNER e do próprio cinema. Confira.

EDWARD G. ROBINSON
(1893-1973)
Na WB de 1930 a 1942
Total de filmes na WB: 22

Vindo de uma elogiada carreira na Broadway, estreou no cinema em 1923. Tornou-se estrela com o sucesso de “Alma no Lodo / Little Caesar” (1931), no papel de um cruel mafioso. Brilhou também sob a direção de Fritz Lang, Billy Wilder, John Huston, Orson Welles, Frank Capra e John Ford. Sua carreira abalou-se ao ser intimidado para depor perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas, por ser supostamente simpatizante do comunismo. Depois de seu falecimento, recebeu um Oscar póstumo.

Principais filmes na Warner: “Alma no Lodo” (Mervyn LeRoy) e “Confissões de Um Espião Nazista / Confessions of a Nazi Spy” (Anatole Litvak, 1939).

JAMES CAGNEY
(1899-1986)
Na WB de 1930 a 1942
Total de filmes na WB: 40

Atarracado, baixinho e feio, foi também o mais versátil dos astros: seus memoráveis delinqüentes fanfarrões e agressivos transformavam-se em enérgicos e charmosos dançarinos. Seu bandido malvado de “O Inimigo Público / The Public Enemy” (1931), famoso por esmagar um grapefuit no rosto de Mae Clarke, fez dele, juntamente com Edward G. Robinson, o arquétipo do gangster de cinema. Recebeu o Oscar por sua atuação no alegre e patriótico musical “A Canção da Vitória / Yankee Doodle Dandy”, de 1942. Aposentou-se após um cômico tour de face como um gerente de vendas da coca-cola em “Cupido Não Tem Bandeira / One, Two, Three” (1961), de Billy Wilder, mas retornou vinte anos depois com um pequeno papel em “Na Época do Ragtime / Ragtime” (1981).

Principais filmes na Warner: “Heróis Esquecidos / The Roaring Twenties” (Raoul Walsh, 1939) e “Fúria Sanguinária / White Heat” (Raoul Walsh, 1949).

BETTE DAVIS
(1908-1989)
Na WB de 1932 a 1949
Total de filmes na WB: 52

Teve início na Broadway, em 1928. Sua longa e ilustre associação com a Warner gerou papéis famosos e dois Oscars, por “Perigosa / Dangerous” (1935) e “Jezebel / Idem” (1938). Temperamental, suas discussões com Jack Warner sobre salários e sobre a qualidade dos roteiros são famosas, resultando em batalha judicial. Ao sair do estúdio, interpretou a personagem Margo Channing de “A Malvada / All About Eve” (1950).

Principais filmes na Warner: “A Carta / The Letter” (William Wyler, 1940) e ‘A Estranha Passageira / Now, Voyager” (Irving Rapper, 1942).


PAUL MUNI
(1895-1967)
Na WB de 1932 a 1939
Total de filmes na WB: 11

Tinha um cuidado perfeccionista com os papéis que desempenhava, analisando até o impacto da maquiagem em cada um. “Scarface, a Vergonha de Uma Nação / Scarface” e “O Fugitivo / I Am a Fugitive From a Chaing Gang”, ambos de 1932, lançaram-no como astro. Ganhou um Oscar em 1936. Depois de alguns atritos sobre os papéis que lhe foram oferecidos, saiu da Warner e sua carreira nunca mais foi a mesma.

Principais filmes na Warner: “A História de Louis Pasteur / The Story of Louis Pasteur” (William Dieterle, 1936) e “A Vida de Emile Zola / The Life of Emile Zola” (William Dieterle, 1937).

ERROL FLYNN
(1909-1959)
Na WB de 1935 a 1950
Total de filmes na WB: 34

Não era um grande ator, mas possuía uma personalidade atlética e atraente, agitando clássicos de aventura. Rei das matinês juntamente com sua parceira nas telas, a dócil Olivia de Havilland, era um conhecido farrista, cuja reputação foi seriamente abalada após acusações de relacionamento sexual com menores. Enveredou pela bebida e perdeu o encanto, morrendo jovem.

Principais filmes na Warner: “Capitão Blood / Captain Blood” (Michael Curtiz, 1935) e “As Aventuras de Robin Hood / The Adventures of Robin Hood” (Michael Curtiz e William Keighley, 1938).

HUMPHREY BOGART
(1899-1957)
Na WB de 1936 a 1948
Total de filmes na WB: 49

Personificação do sujeito durão, apesar do seu jeito seco tornou-se muito influente e popular e virou um dos maiores mitos de Hollywood. Sua maneira arrastada de falar e seu rosto de pedra, duas características marcantes, foram resultado de um incidente, ocorrido na Primeira Guerra Mundial, que quase dilacerou seu lábio superior. Tornou-se um astro em 1941, quando George Raft e Paul Muni recusaram rodar “Seu Último Refúgio / High Sierra”. Consolidou-se com uma série de filmes notáveis, permanecendo no topo até sua morte precoce, aos 57 anos.

Principais filmes na Warner: “Casablanca / Idem” (Michael Curtiz, 1942) e “O Tesouro de Sierra Madre / The Treasure of the Sierra Madre“ (John Huston, 1948).

ANN SHERIDAN
(1915-1967)
Na WB de 1937 a 1948
Total de filmes na WB: 40

Considerada símbolo sexual, o que ajudou sua carreira, contudo, tal estigma, juntamente com filmes e papéis medíocres, ocultou sua inteligência e charme naturais. Impressionou com sua atuação como a garçonete de “Dentro da Noite / They Drive by Night” (1940). Mas alcançou realmente o sucesso trabalhando ao lado de Ronald Reagan em “Em Cada Coração um Pecado / Kings Row” (1942). Sua popularidade decaiu na década de 50 e ela fez telenovelas antes de morrer prematuramente por câncer.

Principais filmes na Warner: “Dentro da Noite” (Raoul Walsh) e “Em Cada Coração um Pecado” (Sam Wood).

JOHN GARFIELD
(1913-1952)
Na WB de 1938 a 1946
Total de filmes na WB: 22

Cria da ribalta, sua personalidade forte excitava o público mais jovem de um modo não visto novamente até Marlon Brando surgir nas telas. Ele personificava na Warner o solitário insatisfeito, mas teve em outros estúdios os seus melhores papéis: o vagabundo de “O Destino Bate à Sua Porta / The Postman Always Rings Twice” (M-G-M, 1946); uma vítima do boxe em “Corpo e Alma / Body and Soul” (Entreprise, 1947); e um rebelde cubano em “Resgate de Sangue / We Were Strangers” (Columbia Pictures, 1949). A paranóica marca anticomunista do macartismo arruinou sua carreira, levando-o a uma morte prematura.

Principais filmes na Warner: “Dias Sem Fim / Castle on the Hudson” (Anatole Litvak, 1940) e “Acordes do Coração / Humoresque” (Jean Negulesco, 1940).

IDA LUPINO
(1918-1995)
Na WB de 1940 a 1947
Total de filmes na WB: 13

Por um momento pareceu que ela iria superar Bette Davis aos olhos do público. Com rosto de boneca, estreou no cinema aos treze anos. Passou pela Paramount e pela Columbia, mas realmente se fortaleceu na Warner. Depois de inúmeras atuações notáveis, começou a dirigir em 1950. Apareceu pela última vez nas telas em 1978.

Principais filmes na Warner: “Dentro da Noite” e “Seu Último Refúgio”.

JOAN CRAWFORD
(1905-1977)
Na WB de 1944 a 1952
Total de filmes na WB: 9

Ocultando o passado de dançarina de cabaré e atriz pornô, reinou na Metro-Goldwyn-Mayer por quinze anos. Era um exemplo da típica estrela de cinema, estabelecendo-se após muita luta e intrigas como a perfeita personificação de charme, firmeza e sensualidade. Excelente atriz, passou a trabalhar no estúdio da sua arqui-rival Bette Davis, em 1944, e no ano seguinte ganharia o Oscar de Melhor Atriz. Nos anos 60, sua carreira se reergueu com o êxito de “O Que Aconteceu com Baby Jane? / What Ever Happened to Baby Jane?” (1962). Seguiram-se filmes de terror de pequeno orçamento e no final de sua vida, riquíssima (seu último marido era dono da Pepsi Cola), tornou-se reclusa e alcoólatra.

Principais filmes na Warner: “Almas em Suplício / Mildred Pierce” (Michael Curtiz, 1945) e “Acordes do Coração”.

LAUREN BACALL
(n. em 1924)
Na WB de 1944 a 1950
Total de filmes na WB: 6

Assim que surgiu nas telas, conquistou imediatamente seu posto de musa em Hollywood e criou um novo estilo de heroína, glacialmente distante. A trajetória de sua carreira sofreu um grave abalo durante a luta de seu marido, Humphrey Bogart, contra o câncer. Também enfrentou brigas com a Warner, que lhe entregava papéis inadequados. Nunca deixou de fazer sucesso, inclusive na Broadway, e ainda hoje atua, aos 86 anos.

Principais filmes na Warner: “Uma Aventura na Martinica / To Have and Have Not” (Howard Hawks, 1944) e “Paixões em Fúria / Key Largo” (John Huston, 1948).

DORIS DAY
(n. em 1924)
Na WB de 1948 a 1954
Total de Filmes na WB: 15

Começou como cantora, até encontrar a fama como heroína pouco inteligente nos musicais e comédias da Warner. Chamada de “a eterna virgem”, era uma das mais populares e bem pagas estrelas dos anos 50. Na década de 60, com a revolução sexual, ficou fora de moda, mas o tempo lhe fez justiça, reconhecendo seu talento.

Principais filmes na Warner: “Êxito Fugaz / Young Man with a Horn” (Michael Curtiz, 1950) e “Ardida Como Pimenta / Calamity Jane” (David Butler, 1953).

VIRGINIA MAYO
(1920-2005)
Na WB de 1949 a 1954
Total de filmes na WB: 17

Dona de uma beleza glamorosa e sensual em seus traços perfeitos, cabelos louros e levemente estrábicos olhos verdes, nunca foi uma atriz que dominasse todas as sutilezas da profissão. Contratada por Samuel Goodwyn e depois pela Warner, era querida pelas platéias das décadas de 40 e 50, atuando ao lado de grandes astros, como Burt Lancaster, Gregory Peck, Alan Ladd e Paul Newman. Fez muitos filmes de aventura, policiais e westerns. Em 1947, casou-se com o ator Michael O'Shea, com quem viveu até a morte deste, em 1973, e com quem contracenou no cinema, tevê, rádio e teatro.

Principais filmes na Warner: “Fúria Sanguinária” e “O Gavião e a Flecha / The Flame and the Arrow” (Jacques Tourneur, 1950).

fevereiro 15, 2012

********************** REIS DO RISO


max linder
MAX LINDER
(1883-1925)

O comediante que mais influenciou Chaplin era francês e teve fim trágico: ele e a mulher foram encontrados mortos num hotel de Paris, em 1925. Ele começou aos 17 anos, trocando a escola pelos palcos de Bordeaux. Quatro anos depois, mudou-se para Paris, onde ganhou pequenos papéis em peças melodramáticas. Em 1905, iniciou carreira na Pathé Filmes. Nos três anos seguintes, dividiu-se entre teatro e cinema, decolando para a fama. A ponto de, em 1910, já ser considerado o comediante mais conhecido das telas em todo o mundo. Passou, além de atuar e escrever, a dirigir filmes. Sua popularidade chega ao auge em 1914, mas, convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial, foi atingindo por gases venenosos e teve seu primeiro colapso nervoso, que lhe deixou seqüelas pelo resto da vida. Voltou a atuar no cinema francês, mas logo aceitou proposta de um estúdio norte-americano e se mudou para Hollywood, onde seus problemas de saúde reapareceram. Morando novamente em Paris, casou-se em 1923. Mas não encontrou paz, mergulhando numa crise profunda. A última de sua vida.

MACK SENNETT
(1880-1960)

O primeiro rei da comédia no cinema. Tudo começou quando, aos 17 anos, se mudou do Canadá para os Estados Unidos. Artista de vaudeville, nas muitas viagens que fazia, conheceu o homem que iria dar o primeiro impulso na sua carreira: D. W. Griffith. Sob a direção do mestre, atuou em pequenos papéis. Quando um diretor de comédias adoeceu pouco antes do início de uma filmagem, ele foi chamado às pressas para substituí-lo. Era 1912 e Sennett começou a despontar para a glória – criando logo depois seu próprio estúdio, o Sennett’s Keystone, que se transformou na maior fábrica de gargalhadas de Hollywood. De humor fácil, de grande apelo popular, cheia de gags irresistíveis, o comediante trilhou uma trajetória ascendente. Alguns nomes que seriam, algum tempo depois, monstros sagrados da tela, começaram com ele: Chaplin, Gloria Swanson, Fatty Arbuckle, Mabel Normand, Harold Lloyd, Frank Capra etc.

HAROLD LLOYD
(1893-1971)

Começou numa companhia de teatro mambembe, parando com ela em Los Angeles. Com o fim da excursão, encontrou Hal Roach, que também sonhava com a fama – e ficaram amigos. O amigo recebeu uma herança familiar de 3.000 dólares e decidiu produzir filmes. Fizeram várias comédias de 1913 a 1915, mas as coisas começaram a dar certo quando criou o personagem Lonesome Luke, que fez muito sucesso. Mas, logo depois, achou a figura ideal: um homem bem-sucedido na vida, quase elegante, vestindo boas roupas, que usava um redondo par de óculos. Resultado: transformou-se em um dos maiores atores cômicos do cinema mudo. Nem um acidente foi capaz de interromper essa trajetória: durante a filmagem de “Haunted Spooks” (1920), uma bomba explodiu em sua mão, que ficou semiparalisada. Morreu de câncer aos 77 anos, em 1971.

BUSTER KEATON
(1895-1966)

Filho de artistas mambembes, aos seis meses já participava de espetáculos. Aos 21 era um nome de ponta do vaudeville e não teve dificuldades para aparecer como coadjuvante em curtas ao lado de Fatty Arbuckle. Em 1919, o produtor Joseph M. Schenck (casado com a atriz Norma Talmadge, irmã da mulher de Keaton, Natalie) o convidou para estrelar alguns filmes. Desse investimento resultaram sucessos, e durante muitos anos se tornou um ídolo do cinema mudo, principalmente a partir de sua obra-prima “A General / The General” (1926). Ao mudar-se para a poderosa Metro-Goldwyn-Mayer perdeu a liberdade de improvisar, submetendo-se às imposições de um grande estúdio. O resultado foi melancólico: abandonado pela mulher e afogando-se no álcool, o cômico se reduziu a um repetidor de velhas gags. Logo veio a decadência e passou o resto da vida fazendo pontas. A partir de 1962, o artista, morto em 1966, teve sua obra revista e mereceu uma retrospectiva da Cinemateca Francesa.  “O Homem Que Não Ri”, como era conhecido, é reverenciado hoje como gênio.

CHARLES CHAPLIN
(1889-1977)

Nascido em Londres e criado num orfanato, em 1906 entrou para a companhia de Fred Karno e quatro anos depois assinou contrato com a Keystone, nos Estados Unidos. Filmes curtos de dois rolos fizeram sua fama internacional como Carlitos. Dirigiu e atuou em diversas obras-primas, mas durante muito tempo temeu o cinema sonoro. Seus envolvimentos com mulheres geraram vários escândalos. Perseguido pelo macarthirmo, exilou-se na Suíça. Retornou aos EUA em 1972 para receber um Oscar honorário, mas apenas com um visto de um mês. Suas realizações como comediante, diretor, roteirista, produtor e compositor foram notáveis. É um dos maiores nomes da história do cinema.

OS IRMÃOS MARX
Chico (1887-1961), Harpo (1888-1964),
Groucho (1890-1977) e Zeppo (1901-1979)

O grupo de comediantes mais escandalosamente excêntricos de Hollywood, fizeram da anarquia uma arte. Groucho era um mestre no jogo de palavras, Harpo era um mímico que tocava harpa, Chico um pianista que falava com sotaque italiano e Zeppo era o certinho. Nova-iorquinos e irmãos, começaram no teatro de variedades e depois na Broadway. Contratados pela Paramount, fizeram seus melhores e mais loucos filmes nesse estúdio. Depois foram para a Metro, onde atuaram no seu maior sucesso de bilheteria, “Uma Noite na Ópera / A Night at the Opera” (1935). Mas na MGM não tinham liberdade criativa e aos poucos foram decaindo. A última colaboração deles foi “Loucos de Amor / Love Happy” (1949), com Marilyn Monroe. Apenas Groucho continuou no cinema, terminando sua carreira em 1968 com “Skidoo / Idem”, de Otto Preminger.

W. C. FIELDS
(1880-1946)

Seu estilo de comédia não perdoava nada. Malabarista e artista de vaudeville, com um nariz grande e vermelho, alcançou a fama em musicais na Broadway. Seu modo de falar era imitado por muita gente e seu alcoolismo, legendário. O auge do sucesso aconteceu com o personagem Mr. Micawber em “David Copperfield / Idem” (1935), de George Cukor.

MAE WEST
(1893-1980)

Uma arquetípica deusa do sexo com estilo lânguido, corpo sensual e sagacidade ao falar. Começou como artista de vaudeville, tornando-se uma escandalosamente bem-sucedida dramaturga e comediante, estreando no cinema em 1932. Ela escrevia seus roteiros e foi co-autora de seus filmes, salvando a Paramount da falência e tornando-se a mulher mais bem paga de Hollywood. Os problemas com a censura, que incluíram um curto período na prisão por obscenidade, terminaram por afastá-la das telas, voltando ao teatro sempre com casa lotada.

O GORDO E O MAGRO
Stan Laurel (1890-1965) e Oliver Hardy (1892-1957)

Famosa dupla de comediantes em atividade desde o cinema mudo até meados da Era de Ouro de Hollywood, era composta por um magro, o inglês Stan Laurel, e um gordo, o norte-americano Oliver Hardy, que brilhavam no estilo pastelão. Apareceram também em apresentações teatrais nos EUA e na Europa. Nos anos 40, decepcionados com os filmes em que tinham pouco controle criativo, concentraram-se em suas apresentações teatrais. Fizeram seu último longa em 1951, depois se aposentaram das telonas. No total, eles apareceram juntos em 106 filmes.

BOB HOPE
(1903-2003)

Venceu um concurso de imitadores de Chaplin com apenas dez anos. No vaudeville, aprendeu a cantar, dançar e interpretar. Brilhou na Broadway e se transferiu para Hollywood em 1938. Uma das dez maiores bilheterias dos anos 40 e 50, conseguiu seu primeiro sucesso nas telas como o covarde cômico de “O Gato e o Canário / The Cat and the Canary” (1939). Sua carreira começou a declinar no final dos anos 50. Considerado uma instituição nacional, divertiu as tropas norte-americanas em várias guerras. Por mais de 30 anos apresentou a entrega do Oscar.

ABBOTT E COSTELLO
Bud Abbott (1895-1974) 
e Lou Costello (1906-1059)

Dupla que fez sucesso com um humor simples, do tipo conhecido por pastelão, durante os anos 40. Eram verdadeiros ídolos das matinês. Começaram no teatro de revista na Broadway e no final da década de 40 a carreira de ambos entrou em declínio. Tentaram resgatar o prestígio perdido, mas não deu certo. Enfrentando graves problemas financeiros, Costello morreu vítima de um ataque cardíaco e Abbott passou os últimos dez anos de vida em uma casa de repouso.

OS TRÊS PATETAS
Shemp (1895-1975), Moe (1897-1955),
Larry (1902-1975) e Curly (1903-1952)

Grupo cômico em atividade de 1922 a 1970, mais conhecido por seus numerosos curta-metragens. Sua comicidade era marcada pela extrema comédia pastelão e farsa física. Moe, Larry e Curly (depois substituído por Shemp) protagonizaram 190 curta-metragens para a Columbia entre 1934 e 1958, sempre com sucesso. Nos anos 60, passaram a se apresentar ao vivo na tevê, em participações especiais disputadas.

DANNY KAYE
(1913-1987)

Tornou-se comediante antes dos 14 anos, trabalhando em hotéis. Durante os anos 30, apresentava-se em cabarés e apareceu em curtas. Tornou-se astro da Broadway em 1941 no musical “Lady in the Dark”, de Kurt Weill, e contratado por Samuel Goldwyn estreou no cinema como um recruta hipocondríaco em 1944. Sua carreira no cinema começou a declinar nos anos 50, embora “Hans Christian Andersen / Idem” (1952), com inúmeras canções de sucesso, arrecadasse enorme bilheteria. Kaye passou para a tevê nos anos 60 e suas aparições no cinema tornaram-se raras. Faleceu durante uma cirurgia cardíaca.

LUCILLE BALL
(1911-1989)

Artista desde os 15 anos, entrou para o cinema como uma das coristas da Metro. Seu talento apareceu lentamente graças a pequenas aparições em comedias e musicais. Nos anos 40 já havia conseguido um espaço como comediante. Em parceria com o músico cubano Desi Arnaz, seu marido a partir de 1941, criou e produziu “I Love Lucy”, inspirada em “My Favorite Husband”, um programa de rádio protagonizado pela dupla. A série fez enorme sucesso e marcou época na história da tevê. Ela estrelou outras duas séries de longa duração e filmes ocasionais.

JERRY LEWIS
(nasceu em 1926)

Começou nos palcos com seus pais aos cinco anos. Aos dezoito já era comediante profissional. Sua carreira decolou quando conheceu Dean Martin. O número deles era baseado na contradição: Martin era o cantor mulherengo seguro de si e Lewis o idiota descoordenado e desatento. Entraram para o cinema em 1949, contratados pela Paramount. Ao romper com Martin em 1956, ele passou a escrever, produzir e dirigir seus filmes. Continuou fazendo sucesso durante muito tempo, inclusive na Broadway.

OSCARITO
(1906-1970)

Nascido na Espanha, consagrou-se como o maior comediante brasileiro de todos os tempos. Iniciou sua carreira no circo, passou pelo teatro e em 30 anos fez 45 filmes. A primeira aparição nas telas aconteceu em 1933, em “A Voz do Carnaval”, antepassado das chanchadas que teriam nele seu grande astro. Grande Otelo era o seu parceiro habitual nas trapalhadas hilárias nas telas.

PETER SELLERS
(1925-1980)

Cômico anárquico, esse inglês ficou famoso com o programa de rádio “Good Show”, que mostrava seu talento como imitador. Depois de uma infinidade de comédias na Inglaterra, tornou-se uma celebridade internacional com “A Pantera Cor-de-Rosa / The Pink Panther” (1963) e “Doutor Fantástico / Doctor Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb” (1964). Neurótico e infeliz, morreu logo depois de um dos seus maiores sucessos, “Muito Além do Jardim / Being There” (1979), pelo qual concorreu ao Oscar de Melhor Ator.

AMÁCIO MAZZAROPI
(1912-1981)

Oriundo do circo, esse paulistano comandava um programa radiofônico no final dos anos 40. Contratado pela Vera Cruz fez um tremendo sucesso, lapidando seu personagem típico, um caipira ingênuo às voltas com os problemas da grande cidade, mas sempre conseguindo superá-los. Não se limitando a ser apenas ator nos 32 filmes de sua carreira, fundou sua própria produtora, escreveu roteiros e dirigiu filmes.

JACQUES TATI
(1907-1982)

Ele dirigiu apenas seis longas-metragens durante uma carreira de 60 anos, mas criou um herói cômico tão famoso como o vagabundo de Chaplin. Se os problemas relativos ao levantamento de recursos reduziram sua produção, o mesmo pode ser dito de seus preparativos obsessivos, que prolongaram seus projetos por anos. Começou nos cabarés, atuou em diversos curtas e terminou com seu nome lançado como uma figura importante na tradição dos grandes comediantes do cinema mudo. Embora tenham poucos diálogos, a insensatez cômica de seus filmes é destacada pelas trilhas sonoras absurdas.

CANTINFLAS
(1911-1993)

Engraxate, pugilista, motorista de táxi, toureiro e palhaço de circo, o mexicano Mário Moreno ao tornar-se comediante foi considerado o melhor do mundo por Chaplin. Seu bigode era único: dois chumaços ralos de pêlos caindo nos cantos da boca. As calças com os fundilhos lá embaixo, o lenço atado ao pescoço e um falar matraqueado fizeram dele um tipo inconfundível, super divertido. Estreou no cinema em 1936 e fez mais de cinqüenta filmes, sendo dois deles rodados em Hollywood: “A Volta ao Mundo em 80 Dias / Around the World in Eighty Days” (1956) – Oscar de Melhor Filme – e “Pepe / Idem” (1960).

(Fonte: “1.000 Que Fizeram 100 Anos de Cinema”, da The Times/Isto É; 
e revistas “Cinemin”)