julho 30, 2011

******* QUANDO OS DURÕES SE ENCONTRAM


robert mitchum
Eles existem desde o início do cinema e são do tipo que atiram primeiro e perguntam depois. Erguendo suas espadas banhadas em sangue, sacando armas de fogo, socando ou atravessando inúmeros perigos sem qualquer receio, personificam como ninguém a imagem do homem DURÃO. Cowboys, justiceiros, mafiosos, aventureiros, detetives, policiais, aventureiros, ladrões ou brutamontes, nunca se entregam e fazem de tudo para atingir os seus objetivos, nascendo assim incríveis ícones. São valentões que hipnotizam o público, embora muitas vezes utilizem métodos nada éticos. Por que estes personagens que têm tudo para serem odiados fazem tanto sucesso? Sabe se lá. Sabemos que a principal motivação desses sujeitos é a vingança ou o dinheiro. Mulheres só para passar o tempo, mas jamais são levadas a sério. Eles não são muito bons com as palavras, preferem distribuir bordoadas. Selecionei aqui os 13 personagens mais DURÕES do cinema. O meu mais querido é o Steve McQueen de “Fugindo do Inferno/The Great Escape” (1963). Dizem que o ator era o homem que as mulheres queriam ter e que os homens queriam ser. Não é de se espantar que foi eleito pela revista “Empire” como um dos maiores astros de todos os tempos. Imbatível nas telas, na vida real a coisa foi diferente, terminando por ser consumindo por um câncer. “Fugindo do Inferno” demonstra seu carisma e principalmente seus culhões. Para interpretar o prisioneiro de guerra que peitava os nazistas no campo de concentração à prova de fugas, McQueen exigou que o roteiro fosse refeito, adicionando cenas em que ele pudesse mostrar na tela suas habilidades sobre uma moto. Confira a lista dos DURÕES logo abaixo.


ALAIN DELON como Jef Costello
O SAMURAI/Le Samourai (1967), de Jean-Pierre Melville


CHARLES BRONSON como Paul Kersey
DESEJO DE MATAR/Death Wish (1974), de Michael Winner


CLINT EASTWOOD como Inspetor “Dirty” Harry Callahan
PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL/Dirty Harry (1971), de Don Siegel


EDWARD G. ROBINSON como Rico
ALMA NO LODO/Little Caesar (1930), de Mervyn LeRoy


GENE HACKMAN como Jimmy Doyle
OPERAÇÃO FRANÇA/The French Connection (1971), de William Friedkin

com ann sheridan
GEORGE RAFT como Joe Fabrini
DENTRO DA NOITE/They Drive by Night (1940), de Raoul Walsh

com lauren bacall
HUMPHREY BOGART como Philip Marlowe
À BEIRA DO ABISMO/The Big Sleep (1946), de Howard Hawks

com priscilla lane
JAMES CAGNEY como Eddie Bartlett
HERÓIS ESQUECIDOS/The Roaring Twenties (1939), de Raoul Walsh


JOHN WAYNE como Ethan Edwards
RASTROS DE ÓDIO/The Searchers (1956), de John Ford



LEE MARVIN como Walker
À QUEIMA-ROUPA/Point Black (1967), de John Boorman


ROBERT MITCHUM como Capitão Thomas McQuigg
A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI/The Racket (1951), de John Cromwell


SEAN CONNERY como James Bond
OO7 CONTRA O SATÂNICO DR. NO/Dr. No (1962), de Terence Young


STEVE McQUEEN como Capitão Hilts
FUGINDO DO INFERNO/The Great Escape (1963), de John Sturges


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ESTRÉIA


OS BÓRGIAS

Sexo, poder, assassinato. E tudo isso em pleno coração da religião católica. É esta a trama que o cineasta Neil Jordan (de filmes como “Traídos pelo Desejo” e “Entrevista com o Vampiro”) apresenta em “Os Bórgias/The Borgias” (2011), série baseada em uma história real, escrita e dirigida por ele e que, a partir de agosto, será exibida com exclusividade pelo canal TCM. Estamos na Itália do século XV, justamente quando ascendia ao poder um clã italiano, mas de origem espanhola, uma família conhecida por sua crueldade e ganância – tanto que ganharia de Mario Puzo, autor de “O Poderoso Chefão”, o apelido de “a versão renascentista dos Corleone”. No papel do patriarca dos Bórgia, ninguém menos do que o elogiado Jeremy Irons, ator inglês vencedor do Oscar. Rodrigo Bórgia (Irons) é um clérigo absolutamente devotado à sua família – embora também tenha um gosto particular por belas mulheres. Em nome daqueles que são de seu sangue, ele é capaz de fazer tudo para saciar sua sede por poder, perseguindo sempre um objetivo maior: atingir o trono papal. Ao lado do homem predestinado a tornar-se o papa Alexandre VI, estão seus filhos, o violento Cesare (François Arnaud), o covarde Juan (David Oakes), o ainda inocente Joffre (Aidan Alexander) e a bela e provocante filha Lucrécia (Holliday Grainger) – esta última, acusada pelas más línguas de ter uma relação incestuosa com o irmão Cesar. Uma destas más línguas, aliás, é o poderoso cardeal Giuliano della Rovere (Colm Feore), o maior inimigo de Rodrigo e principal barreira em seu caminho ao domínio do Vaticano. “Os Bórgias” estréia no dia 7 de agosto, sendo exibido todos os domingos, às 22h. A representação dupla acontece todas as terças, também a partir das 22h.

*********** OS RUSSOS ESTÃO CHEGANDO



A significância do CINEMA RUSSO é notória. Inicialmente influenciado pelo construtivismo, o cubismo francês e o futurismo italiano, incorporou experiências sensoriais ligadas ao abstrato gráfico, ao espiritual e ao funcional, em busca de uma linguagem própria. Resultando, nessa extraordinária fusão, em filmes célebres como o politizado “Encouraçado Potemkin/ Bronenosets Potyomkin” (1925), de Sergei Eisenstein, e o experimental “O Homem com Uma Câmera/Chelovek s kino-apparatom” (1929), de Dziga Vertov. Pioneiros da linguagem, da teoria e da estética cinematográfica, sugerindo e definindo padrões, ganharam prêmios importantes e correram mundo. Um dos maiores cineastas russos, Andrei Tarkovsky, inovou a linguagem e a estética cinematográfica com realizações poéticas/filosóficas marcadas por símbolos, durante o período do chamado “Degelo”, nas décadas de 60 e 70. Selecionei os seus três filmes que mais admiro, assim como os de outros seis diretores do país de Dostoievski. Para quem não conhece o CINEMA RUSSO, possivelmente esta lista será pertinente, um verdadeiro caminho para infinitas descobertas. O produto final é uma série de obras-primas, de impacto, que legitimam sua permanência como um referencial na história do cinema. Por fim, antes que me crucifiquem, um aparte: Aleksandr Sokurov, o realizador de “Pai e Filho/Otets i Syn” (2003),  não foi descartado, apenas resguardado para um post - mais adiante - somente sobre ele.


ALEKSANDR DOVZHENKO
(1894-1956)

ARSENAL/Apcehan(1929)
TERRA/Zemlya (1930)
ZVENIGORA/Idem (1928)


terra


ANDREI TARKOVSKY
(1932-1986)

ANDREI ROUBLEV/Idem (1966)
SOLARIS/Solyaria (1972)
O SACRIFÍCIO/Offret (1986)

andrei rublev


MIKHAIL KALATOZOV
(1903-1973)

QUANDO VOAM AS CEGONHAS/Letyat Zhuravli (1957)
EU SOU CUBA/Ya Kuba (1964)
A TENDA VERMELHA/Krasnaya Palatka (1969)

quando voam as cegonhas


NIKITA MIKHALKOV
(1945-)

OLHOS NEGROS/Oci Ciornie (1987)
URGA – UMA PAIXÃO NO FIM DO MUNDO/Urga (1991)
O SOL ENGANADOR/Utomlyonnye Solntsem(1994)

o sol enganador

SERGEI M. ENSENSTEIN
(1898-1948)

O ENCOURAÇADO POTENKIM/Bronenosets Potyomkin (1925)
ALEXANDER NEVSKY/Idem (1938)
IVAN, O TERRÍVEL – PARTE I E II/Ivan Groznyv (1944-1958)

ivan, o terrível


SERGEI PARADJANOV
(1924-1990)

OS CAVALOS DE FOGO/Tini Zabutykh Predkiv (1964)
A COR DA ROMÃ/Sayat Nova (1969)
O TROVADOR KERIB/Ashugi Oaribi (1988)

a cor do romã


VSEVOLOD PUDOVKIN
(1893-1953)

A MÃE/Mat (1926)
TEMPESTADE SOBRE A ÁSIA/ Potomok Chingis-Khana (1928)
O FIM DE SÃO PETERSBURGO/Kpnets Sankt-Peterburga (1927)

a mãe

POEMA DE ARSANI TARKOVSKI
(do filme “Stalker”, de Andrei Tarkovsky, 1979)

Agora o verão se foi,
e poderia não ter vindo.
No sol está quente,
mas tem de haver mais.
Tudo aconteceu,
tudo caiu em minhas mãos,
como uma folha de cinco pontas,
mas tem de haver mais.
Nada de mau se perdeu,
nada de bom foi em vão...
uma luz clara ilumina tudo,
mas tem de haver mais.
A vida me recolheu,
à segurança de suas asas.
Minha sorte nunca falhou,
mas tem de haver mais.
Nem uma folha queimada,
nem um graveto partido
claro como um vidro é o dia...
mas tem de haver mais.

sergei m. ensenstein

julho 29, 2011

******** GLORIA SWANSON & CECIL B. DeMILLE


gloria swanson
Quem gosta dos clássicos de Hollywood certamente já passou por “Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard” (1950), o mais contundente filme sobre os bastidores da capital do cinema e, em minha opinião, um dos melhores filmes de todos os tempos. Depois de passear pelos extras de sua baratíssima edição distribuída pela Paramount, é bastante provável que o espectador se sinta compelido a procurar os filmes em que Miss GLORIA SWANSON foi dirigida por Cecil B. DeMille: retratado em “Sunset Boulevard” como um atarefado diretor que nem remotamente deseja tirar do ostracismo a outrora famosa atriz muda. É também possível que esse espectador procure saber um pouco mais sobre os outros artistas esquecidos que também comparecem no filme de Billy Wilder (Erich Von Stroheim, Hedda Hopper, Buster Keaton). Eu, pelo menos, saí atrás de toda essa gente.


O passeio me levou até “No Alvorecer da Verdade/Don't Change Your Husband” (1919), “Macho e Fêmea/Male and Female” (1919), “Porque Trocar de Esposa?/Why Change your Wife” (1920) e “As Aventuras de Anatólio/The Affairs of Anatol”, películas em que uma GLORIA SWANSON no auge de sua juventude, beleza e popularidade é dirigida por Cecil B. DeMille. Essas películas exemplificam bastante bem as diretrizes que determinavam o trabalho de DeMille nos anos de 1910 e 1920. São comédias que seguem a linha das comédias de costumes teatrais, que buscam corrigir os vícios pelo riso. Daí a algumas delas não terem muita graça, por tentarem defender uma middle class morality de modo demasiado intencional. Por exemplo, a primeira e a terceira, “No Alvorecer da Verdade” e “Porque Trocar de Esposa?”, respectivamente. A apresentação do casal assemelha-se. No primeiro filme, a câmera delicia-se em apresentar pouco a pouco um marido relaxado: ele joga a sujeira do cachimbo no chão da sala, coloca os sapatos sujos sobre o lenço imaculado da esposa e não dá qualquer atenção a ela. A pobrezinha, que anseia por romance, encontra-o pouco depois no galanteador que a distraía no jantar em comemoração ao aniversário de casamento dela - ao qual o marido se esquecera de comparecer. No segundo é a vez de a câmera desnudar a pudica esposa que, por ser muito casta, acaba jogando o marido no colo de uma vamp (a hilária Bebe Daniels, num de seus muitos papéis de coquete espevitada). Num e noutro filme pululam as mensagens moralizantes do diretor, por meio de inúmeros intertítulos longuíssimos. A conclusão de ambos é: marido e mulher devem permanecer unidos para tentar resolver os problemas conjugais, pois nem sempre (nunca, de acordo com a filosofia demilliana) é bom negócio investir num novo consórcio. A leitura da questão é pretensamente inovadora quando DeMille propõe, em “Porque Trocar de Esposa?”, que a mulher deve deixar o puritanismo de lado para, de vez em quando, ser também “amante” do marido. Porém, a dica parece servir unicamente ao objetivo de sustentar o lar burguês num momento em que não era tão difícil de se conseguir um divórcio (tanto que, nos dois filmes, o casal se divorcia, e os litigantes são punidos com segundos consórcios pouco deleitosos).

cecil b. demille
Além de acreditar que o casamento deveria durar até que a morte separasse o casal - mesmo que as diferenças já os tivessem separado muito antes -, outra crença alimentada pelo Sr. DeMille é a da estratificação das classes sociais. Isso fica muito claro em “Macho e Fêmea”, conto do mordomo que deseja a patroa rica, mas, consciencioso de sua posição social, resolve casar-se com a criadinha sensaborona. O casamento entre a patroa e o empregado - enamorados um do outro - quase acontece. Isso enquanto ambos estão numa ilha deserta, onde vão parar depois que afunda o barco onde estão os ricos, o mordomo e a criada. Lá fundam uma nova sociedade, baseada na habilidade de cada um, e onde, pasmem, é a vez do esbelto mordomo tornar-se rei (literalmente). Só assim, superior à mocinha, ele poderia tê-la. O idílio dura pouco, pois os desaparecidos são resgatados, mas mesmo que não fossem, e que o casamento se consumasse, perduraria a visão machista do Sr. DeMille.


Mais agradável é “As Aventuras de Anatólio”, onde há mais bom humor na narração das situações em que se envolve o “cavalheiresco” jovem Anatol (interpretado pelo belo Wallace Reid num dos últimos papéis de sua breve carreira), sempre às voltas com a salvação das belas mulheres. Os intertítulos, apesar de continuarem longos, são sarcásticos: “O cavalheiro andante só quer fazer o bem, mas o que sua esposa pensa disso?”; “Se bem que ele não iria querer salvar a moça se ela não fosse tão bonita, e ela não iria querer ser salva se ele não tivesse os ombros tão largos”, coisas do tipo. Além disso, as interpretações são bastante satisfatórias. GLORIA SWANSON faz uma mocinha recém-casada bem engraçada: frívola, tímida, ciumenta. Wallace Reid tem uns trejeitos hilários - destaque para a cena em que ele, depois de ser enganado por uma Dulcinéia e abandonado na estrada pela esposa, olha para uns patos (“Greetings, brothers”, diz o intertítulo). Bebe Daniels novamente aparece, e é uma das personagens mais interessantes dos silents de DeMille: uma vamp de fachada, que habita um misto de caverna do Drácula e pirâmide do Egito, e tenta vampirizar o bobo Reid no intuito de conseguir o dinheiro para a cirurgia de seu esposo.

em "macho e fêmea"
No conjunto, a colaboração Swanson/DeMille deixou produções de inegável valor histórico, mas que não são vistas com muito prazer nos dias de hoje. Não me agrada o modo como ele pinta as mulheres: ou bonecas tolas, seduzidas por galanteadores baratos, ou mulheres descaradas, desejosas especialmente de limpar os bolsos dos homens. E pinta de modo grave, quase sempre com o dedo em riste. Por isso, me diverti tanto com Bebe na pele da mulher casada que amava o esposo e para quem o vampirismo era meramente uma carreira artística... Mas, por outro lado, nesses filmes DeMille pôde vestir Gloria com os trajes mais extraordinários do final de 10 e começo de 20. Trajes que, na época, fizeram tremendo sucesso inclusive por aqui. Não posso deixar de pensar o quanto a descrição de uma das personagens de João do Rio pode ter tido influência da atriz: “O seu passo tango, o exagero das modas, que lhe davam o aspecto semipersa (...)” (vide “Créssida”, de “A Mulher e os Espelhos”, 1919).


Gostei muito de ver esses filmes, que esclarecem a leitura inteligente que Billy Wilder e GLORIA SWANSON fazem da época - e a leitura irritou DeMille, que rompeu relações com Wilder, segundo a trívia hollywoodiana. Mas prefiro Gloria em “Sedução do Pecado/Sadie Thompson” (1928) ou então no sonoro “Esta Noite ou Nunca/It's Tonight or Never” (1931). Aliás, sobre este, meu preferidíssimo, ainda falarei futuramente.

Texto de DANIELLE CREPALDI CARVALHO
Editora do blog “Filmes, Filmes, Filmes!”

em "por que trocar de esposa?"
FILMES DE GLORIA SWANSON COM DeMILLE

NO ALVORECER DA VERDADE/
Don’t Change Your Huscand (1919)
Com Elliott Dexter

A RENÚNCIA/For Better, For Worse (1919)
Com Elliott Dexter

MACHO E FÊMEA/Male and Female (1919)
Com Thomas Meighan

POR QUE TROCAR DE ESPOSA?/
Why Change Your Wife? (1920)
Com Thomas Meighan

ALGUMA COISA EM QUE PENSAR/
Something to Think About (1920)
Com Elliott Dexter

AS AVENTURAS DE ANATÓLIO/
The Affairs of Anatol (1921)
Com Wallace Reid



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CONFIDENCIAL


O FALCÃO MALTÊS/RELÍQUIA MACABRA



Que mais há para se escrever sobre o filme que redefiniu todos os filmes de detetives particulares? Que mais há para escrever sobre o precursor do noir? Que mais há para escrever sobre uma das melhores estréias no cinema? Somente que é, citando a última frase de diálogo do próprio filme, “the stuff that dreams are made of!”, ou evocar algumas curiosidades: a obra de John Huston é a terceira versão cinematográfica da história de Dashiel Hammett (a primeira, “O Falcão Maltês/The Maltese Falcon”, que data de 1931, foi realizada por Roy Del Ruth, com Bebe Daniels e Ricardo Cortez, retrata Sam Spade como um divertido playboy; a segunda, de 1936, “Satan Met a Lady”, de William Dieterle, foi protagonizada por Warren William e Bette Davis e trata-se de uma comédia); quando Huston quis realizar um primeiro filme, foi Howard Hawks que o aconselhou a fazer o remake; era o filme preferido de Peter Lorre; o pai do diretor, o excelente Walter Huston, faz uma ponta como o Capitão Jacobi; estreando no cinema, Sydney Greenstreet tem uma magnífica interpretação como  Kasper Gutman; foi indicado ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (Greenstreet) e Melhor Roteiro Adaptado; Mary Astor vinha de um elogiado desempenho ao lado de Bette Davis em “A Grande Mentira”; pode comentar-se que a carreira de Bogart foi dinamizada por George Raft (sempre a primeira escolha da Warner), que recusou fazer este, “Casablanca”, “Beco Sem Saída” e “O Último Refúgio”... Bogart foi a segunda escolha e o resto é história. No livro O Gênio do Sistema – A Era dos Grandes Estúdios em Hollywood” o escritor Thomas Schartz, disse o seguinte sobre o detetive Sam Spade no filme de Huston: “Era descuidado, entediado com o mundo e quase de meia-idade. Era contemplativo e sedentário. Colarinho desabotoado, gravata frouxa, o eterno cigarro pendente nos lábios”.

julho 23, 2011

***** AMOR ENTRE HOMENS NO CINE BRITÂNICO


peter finch em "os crimes de oscar wilde"
Tenho um pé atrás com filmes de temática HOMOSSEXUAL. É que muitos deles são oportunistas, descartáveis, caricatos ou focados no sexo, como se nada mais fosse importante. Já apostei em alguns no escuro e ao assisti-los constatava como eram ruins, amadores, com roteiro tosco, interpretações fracas e direção barata. Praticamente sustentados pelo fato de tratarem do universo HOMOSSEXUAL. Porém, não posso negar que ao longo dos anos os filmes sobre o tema evoluíram da mesma maneira que a percepção da sociedade mudou, gerando verdadeiros clássicos como “As Horas / The Hours” (2002) ou “O Segredo de Brokeback Mountain / Brokeback Mountain” (2005). Aproveitando a deixa do denso e honesto “Meu Passado me Condena / Victim” (1961), um drama inglês que vi recentemente, resolvi fazer um ranking com os melhores filmes gays, de todos os tempos, da Inglaterra. Provavelmente, deixei vários de lado porque toda lista é pessoal e incompleta. Como critério básico, optei por fitas cuja temática principal (ou em que é uma das temáticas principais) seja HOMOSSEXUAL. Evitei aqueles que fazem alusões indiretas, têm mensagens subliminares ou apenas tenham um ou outro personagem gay. Nada de filmecos eróticos, plumas e gracinhas. Os filmes aqui listados tratam o homossexualismo de maneira natural e digna como o tema merece. Sem estereótipos, caricaturas ou boiolices. São excelentes.

OS CRIMES DE OSCAR WILDE / The Trials of Oscar Wilde (1960), de Ken Hughes. Com Peter Finch, Yvonne Mitchell e James Mason.
No auge de sua fama, o dramaturgo Oscar Wilde tem um relacionamento romântico com rapaz aristocrata, e com isso vai aos tribunais, cavando sua ruína.

Nota: *** (bom)

sylvia syms e dirk bogarde
MEU PASSADO ME CONDENA Victim (1961), de Basil Dearden. Com Dirk Bogarde e Sylvia Syms.
Um advogado casado é chantageado por um desconhecido que tem fotos suspeitas suas com um jovem. O advogado enfrenta a situação e leva o pilantra para o tribunal.

Nota: **** (muito bom)

richard chamberlain
DELÍRIO DE AMOR / The Music Lovers (1970), de Ken Russell. Com Richard Chamberlain e Glenda Jackson.
A envolvente e bizarra vida do compositor Tchaikovsky. Nas próprias palavras de Ken Russell: "É a história do casamento entre um homossexual e uma ninfomaníaca".

Nota: **** (muito bom)

peter finch e murray head 
DOMINGO MALDITO / Sunday Bloody Sunday (1971), de John Schlesinger. Com Peter Finch, Glenda Jackson e Murray Head.
Em Londres, um sofisticado casal acaba se envolvendo em um triângulo amoroso com um jovem designer. Eles disputam a atenção do amante, mas a relação entre os três se resolve sem problemas, até que a situação começa a ficar insustentável.

Nota: **** (muito bom)


MINHA ADORÁVEL LAVANDERIA / My Beautiful Laundrette (1985), de Stephen Frears. Com Saeed Jaffrey, Roshan Seth, Daniel Day-Lewis e Shirley Anne Field.
O drama de um imigrante paquistanês gay, cercado de discriminação e preconceitos. Day-Lewis faz um punk que se enamora do rapaz, ajudando-o a montar uma lavanderia.

Nota: **** (muito bom)

gary oldman e alfred molina
O AMOR NÃO TEM SEXO Prick Up Your Ears (1987), de Stephen Frears. Com Gary Oldman, Alfred Molina e Vanessa Redgrave.
A história verídica de Joe Orton, dramaturgo de sucesso que foi assassinado em 1967 por seu amante. 

Nota: **** (muito bom)

james wilby e hugh grant
MAURICE / Idem (1987), de James Ivory. Com James Wilby, Rupert Graves, Hugh Grant e Ben Kingsley.
A dificuldade em assumir a homossexualidade é vivida por um sofisticado executivo inglês, no início do século 20. 

Nota: ***** (ótimo)

steven waddington e andrew tiernan
EDUARDO II / Edward II (1991), de Derek Jarman. Com Steven Waddington, Andrew Tiernan e Tilda Swinton.
Rei da Inglaterra, no séc. 14, renega sua esposa para viver um problemático relacionamento com seu amante plebeu.  

Nota: **** (muito bom)

linus roache
O PADRE / Priest (1994), de Antonia Bird. Com Linus Roache, Tom Wilkinson e Robert Carlyle.
Padre jovem e idealista chega a paróquia de Liverpool, descobrindo que seu superior vive abertamente com uma mulher. Desorientado, é levado por seus próprios desejos homossexuais, ao mesmo tempo em que presta socorro espiritual à uma garota que é violentada pelo pai.

Nota: **** (muito bom)

emma thompson e jonathan pryce
CARRINGTON – DIAS DE PAIXÃO / Carrington (1995), de Christopher Hampton. Com Jonathan Pryce, Emma Thompson e Steven Waddington.
Em 1915, na Inglaterra, nasce o amor de uma pintora conceituada por um escritor assumidamente gay e 15 anos mais velho. Com o passar dos anos, ela mantém relação com vários homens e ele com outros rapazes, mas nunca se separam emocionalmente.

Nota: **** (muito bom)

derek jacobi e daniel craig
O AMOR É O DIABO / Love is the Devil: Study for a Portrait of Francis Bacon (1998), de John Maybury. Com Derek Jacobi, Daniel Craig e Tilda Swinton.
A biografia intrigante do pintor inglês Francis Bacon, focada no turbulento e trágico relacionamento com seu amante ladrão. Trilha sonora de Ryuichi Sakamoto. 

Nota: **** (muito bom)

clive owen
BENT / Idem (1997), de Sean Mathias. Com Lothaire Bluteau, Clive Owen, Mick Jagger, Ian McKellen e Jude Law.
Na Alemanha nazista, gay é enviado para um campo de concentração. Ele tenta esconder sua homossexualidade usando uma estrela amarela, que era a forma de identificar judeus, em vez do triângulo rosa usado para "marcar" os homossexuais. No campo se apaixona por um prisioneiro que usa com orgulho seu triângulo rosa.

Nota: **** (muito bom)

jude law e stephen fry
WILDE / Wilde (1997), de Brian Gilbert. Com Stephen Fry, Jude Law e Vanessa Redgrave.
Poeta e dramaturgo escandaliza a sociedade por alardear sua homossexualidade. Casado e com filhos, vive um caso turbulento com jovem nobre. Por causa de seu comportamento sexual, sofre dois anos de cadeia.

Nota: *** (bom)

jonathan rhys meyers e ewan mcGregor
VOLVET GOLDMINE / Idem (1998), de Todd Haynes. Com Ewan McGregor, Jonathan Rhys Meyers e Christian Bale.
Para trazer um retrato do Glam Rock, movimento que fez estragos na música e na sociedade explorando temas como a androgenia, o filme conta a ascensão e decadência de um fictício músico símbolo do gênero. 

Nota: ***** (ótimo)

cillian murphy
CAFÉ DA MANHÃ EM PLUTÂO / Breakfast on Pluto (2005), de Neil Jordan. Com Cillian Murphy e Liam Neeson.
Jovem afeminado decide ir em busca de sua mãe, que o abandonou ainda bebê na porta da casa de um padre. Criado por uma família repressora, ele nunca pode se libertar sexualmente.

Nota: *** (bom)