junho 27, 2011

************ SONIA BRAGA: BELA E BENDITA


sonia braga
Segundo o crítico de cinema Inácio Araújo, “nos anos 60, Ann-Margret proclamava que não era uma boneca de carne. Anos pedantes, em que ser mulher e bonita era um pecado original e confinava a atriz no gueto dos ‘sex symbols’. Para existir de pleno direito, ela devia demonstrar que sua beleza era uma excrescência suportável desde que, comprovadamente, ela fosse apenas um atributo anexo a essa coisa misteriosa que se chama talento” (...) “chegamos a uma década em que a beleza não precisa se explicar. Ela existe e ponto. Melhor assim”. Exato, Inácio. Lembro do tempo em que muita gente esnobava SONIA BRAGA, exaltando seu carisma, beleza e sensualidade como se fossem coisas à toa. Tiveram que calar a boca: hoje a atriz é uma diva que trabalha há décadas entre o Brasil e os Estados Unidos, imune a críticas mesquinhas. Belíssima e cheia de energia para novos desafios, destacou-se em episódios das badaladas séries “Sex and the City” (no papel de uma charmosa lésbica), “Brothers & Sisters”, “As Cariocas” e “Tapas & Beijos”.


Sou fascinado por ela desde adolescente. Certa vez, em Salvador, cheguei a pedir-lhe um autógrafo. Era o sonho de um garoto que colecionava mais de uma centena de fotos da deusa em um enorme álbum e discutia com quem duvidava do seu talento. Considero SONIA BRAGA uma das mulheres mais lindas do planeta. No entanto, toda paixão esmorece um dia e acabei por deixar de pensar na morena de Maringá, embora ainda hoje veja seus filmes com prazer. Quando rodou “Tieta do Agreste” (1986) na minúscula Picado, Bahia, entrevistei-a nos sets de filmagens para o Diário de Notícias (de Lisboa), procurando a todo custo disfarçar a emoção que sentia com suas gostosas risadas. Bem acolhido, o meu coração embalou-se no júbilo. Estava diante de um ícone, possivelmente um dos mais fascinantes do final do século 20. Ela movia-se com graça natural, o corpo dançando e o sorriso sem acanhamentos. A musa de Caetano Veloso, que fez para ela a canção “Tigresa”, é uma mulher incrível, simples. Além disso, tem essa coisa de estar completamente a serviço da história, do personagem, do que está se contando. Nunca entendi porque filma tão pouco no Brasil. Deveria ser cortejada por nomes como Walter Salles, Hector Babenco ou Fernando Meirelles. Será que eles nunca perceberão que SONIA BRAGA é sinônimo de qualidade? Sua longa e respeitável trajetória simboliza um mercado cinematográfico nacional positivo, sedutor e habilidoso. É uma das atrizes latino-americanas mais bem-sucedidas nos Estados Unidos. Sua fama abriu caminho para futuras estrelas como Jennifer López e Salma Hayek.

como gabriela
Apaixonei-me pela atriz do Paraná ao assistir “Dona Flor e seus Dois Maridos” (1976), de Bruno Barreto. Seria um dos três ilustres personagens de Jorge Amado imortalizados por ela. Sua entrega foi tão essencial que ainda hoje não é possível ler um desses romances sem enxergar SONIA BRAGA em Gabriela, Dona Flor ou Tieta. Estreando na tevê no programa infantil “Jardim Encantado”, da Tv Tupi, aos 15 anos, subiu aos palcos em 1969, no musical “Hair”, totalmente nua. Em 1970, em “Irmãos Coragem”, da Globo, como Lídia Siqueira, iniciou seu fluxo em telenovelas, marcando época com “Selva de Pedra” (1972), “Fogo Sobre Terra” (1974), “Gabriela” (1975), “Saramandaia” (1976) e Dancin’Days (1979). Disputadíssimo por inúmeras atrizes, o papel principal de “Gabriela” terminou nas mãos da jovem brejeira quase desconhecida depois de muito alarme falso. “Na época estava sem trabalho, namorando um playboy carioca que era dono de um barco. Eu andava nua pelo barco, fui ficando morena e meu cabelo cresceu, o que entusiasmou Walter Avancini", disse a atriz numa entrevista. Após uma série de filmes interessantes, alcançou o estrelato definitivo com “Dona Flor e seus Dois Maridos”, um dos maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro. “A Dama do Lotação” (1978), de Neville D’Almeida, e “Eu Te Amo” (1980), de Arnaldo Jabor, também ficaram na história. Com o segundo ganhou o prêmio Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado. 

com mauro gonçalves e
josé wilker em "dona flor
Posou para a Playboy norte-americana em 1984 e 1986. Em 1985 protagonizou com William Hurt e Raul Julia “O Beijo da Mulher Aranha/Kiss of the Spider Woman”, pelo qual foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. A partir desse filme, mudou-se para os Estados Unidos, atuando em “Luar sobre Parador/Moon Over Parador” (Paul Mazursky, 1988), “Rebelião em Milagro/The Milagro Beanfield War” (Robert Redford, 1988), “Rookie – Um Profissional do Perigo/The Rookie” (Clint Eastwood, 1990), “Amazônia em Chamas/The Burning Season” (John Frankenheimer, 1994), “Morte Dupla/Two Deaths” (Nicolas Roeg, 1995) e “Olhar de Anjo/Angel Eyes” (Luis Mandoki, 2001). Com alguns deles concorreu aos prêmios Emmy, BAFTA e novamente ao Globo de Ouro. Entre um filme e outro, namorou Robert Redford e Clint Eastwood.

"o beijo da mulher aranha"
Retornando ao cinema brasileiro em 1996, SONIA BRAGA enveredou novamente pelo universo amadiano em “Tieta do Agreste”, de Cacá Diegues. Em 1999, fez a telenovela de época “Força de Um Desejo”, de Gilberto Braga, e em 2006 “Páginas da Vida”, de Manoel Carlos. No cinema, seus mais recentes papéis foram em “Cidade do Silêncio/Bordertown” (2006), “Um Amor Jovem/The Hottest State” (2006), “Lope/Idem” (2010) e “Matemática do Amor/An Invisible Sign” (2010). Prepara-se para atuar em “Femena”, “Butterflies & Lightning” e “Elysium”, que tem ainda no elenco Matt Damon, Jodie Foster, sua sobrinha Alice Braga e Wagner Moura. Aos 61 anos (nasceu em 1950), abençoada pela magia dos trópicos, SONIA BRAGA continua sendo a mesma figura de jeito espontâneo e ainda é a atriz brasileira de maior sucesso no exterior.


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O QUE ESTÁ FAZENDO

QUENTIN TARANTINO

Vencedor do Oscar por sua atuação em “Ray/Idem” (2004), Jamie Foxx foi escolhido por Quentin Tarantino para estrelar sua próxima produção, o faroeste à italiana “Django Unchained”. O ator irá interpretar o personagem título, mas não foi a primeira opção do cineasta, tendo sido escolhido após a recusa de Will Smith em ficar com o papel. Idris Elba, Terrence Howard e Chris Tucker chegaram a se reunir com Tarantino, mas acabaram preteridos. Com isso, Foxx se junta à Christoph Waltz, Keith Carradine, Treat Williams e Franco Nero no elenco do longa. Isso sem falar em Leobardo DiCaprio, que é dado como certo no papel do vilão. O argumento fala de um ex-escravo ajudante de um caçador de recompensas. Eles vão procurar vingar-se de um cruel proprietário de terras, que raptou a mulher de Django e quer escravizá-lo mais uma vez. Apaixonado pelo universo do bang-bang à italiana (conhecido como western spaghetti), Tarantino fará sua estréia no gênero e os fãs do diretor podem esperar muitas referências ao genial Sergio Leone (de “Era Uma Vez no Oeste/C’era Uma Volta Il West”, 1968). O lançamento está previsto para dezembro de 2012.

***** O CINEMA VAI À SEGUNDA GUERRA MUNDIAL


ralph fiennes em "a lista de schindler"
Uma seleção do melhor que o cinema rodou a respeito do monstruoso conflito bélico. Como a lista de 10 filmes é bastante minimalista, fica a pergunta: - Tiraria ou acrescentaria algum filme, caro leitor (a)?


1945
UM PUNHADO DE BRAVOS/Objective, Burma!
de Raoul Walsh
Com Errol Flynn
Batalhão de pára-quedistas norte-americanos segue em direção a Burma, Ásia, durante a ocupação japonesa, com a missão de localizar e explodir uma estação de radar. A missão é cumprida, mas quando os homens estão retornando à base são surpreendidos pelo exército nipônico. Realista e emocionante.


1945
ROMA, CIDADE ABERTA/Roma, Città Aperta
de Roberto Rossellini
Com Aldo Fabrizi e Anna Magnani
Em Roma, um dos líderes da Resistência é perigosamente perseguido pelos nazistas. Clássico que garantiu o estrelato aos geniais Magnani e Rossellini.
Grande Prêmio do Festival de Cannes


1952
BRINQUEDO PROIBIDO/Jeux Interdits
de René Clement
Com Brigitte Fossey e Georges Poujouly
Em junho de 1940, as bombas hitleristas assombram os franceses. Durante um bombardeio, uma menina de cinco anos fica órfã e é "adotada" por um menino de 11 anos filho de camponeses. Poético e inesquecível.
Leão de Ouro de Melhor Filme no Festival de Veneza


1953
A UM PASSO DA ETERNIDADE/From Here to Eternity
de Fred Zinnemann
Com Burt Lancaster, Montgomery Clift, Deborah Kerr, Frank Sinatra e Donna Reed
Às vésperas do ataque japonês a Pearl Harbor, soldados em Honolulu vivem seus conflitos neste clássico absoluto (ganhador de oito Oscar) que combina introspecção com grandes cenas de combate.
Oscar de Melhor Filme


1956
MORTE SEM GLÓRIA/Attack
de Robert Aldrich
Com Jack Palance, Lee Marvin e Eddie Albert 
Durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, companhia de infantaria da Guarda Nacional tem a missão de tomar postos de observação de artilharia em uma posição estratégica, mas o conflito entre um tenente e seu covarde capitão é inevitável. Envolvente, profundo e devastador perfil do que é a guerra.


1957
A PONTE DO RIO KWAI/The Bridge on the River Kwai
de David Lean
Com William Holden, Alec Guinness, Sessue Hayakawa e Jack Hawkins
Um oficial inglês, prisioneiro dos japoneses, quer exibir a superioridade da engenharia britânica, construindo uma ponte para os adversários. Mas ela deverá ser destruída numa missão vital para os aliados. Obra-prima eletrizante com fabulosas interpretações.
Oscar de Melhor Filme
BAFTA de Melhor Filme
Globo de Ouro de Melhor Filme-Drama


1993
A LISTA DE SCHINDLER/Schindler’s List
de Steven Spielberg
Com Liam Neeson, Ralph Fiennes e Ben Kingsley  
A história do bon vivant membro do partido nazista que salva judeus do extermínio empregando-os em sua fábrica é contada com perfeição. Além do apuro visual, chama a atenção a visão crítica do filme, que flagra o suborno e a corrupção, além da crueldade do regime.
Oscar de Melhor Filme
BAFTA de Melhor Filme
Globo de Ouro de Melhor Filme-Drama


1998
ALÉM DA LINHA VERMELHA/The Thin Red Line
de Terrence Malick
Com Sean Penn, Adrien Brody, Jim Caviezel, Nick Nolte e George Clooney
O resultado do combate de Guadalcanal influenciará fortemente o avanço dos japoneses no Pacífico. Então um grupo de soldados norte-americanos é enviado para lá para ajudar as unidades já em batalha, conhecendo o verdadeiro terror da guerra. Obra-prima inquestionável. Pena que Malick filme tão pouco.
Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlin


2004
A QUEDA! – AS ÚLTIMAS HORAS DE HITLER/Der Untergang
de Oliver Hirschbiegel
Com Bruno Ganz
Reconstituição dos últimos dias do império nazista, de 30 de abril e 8 de maio de 1945. Este período abrange o último aniversário de Hitler, seu casamento com Eva Braun, seu suicídio e o cessar fogo completo entre a Alemanha e as tropas vencedoras da União Soviética. Sincero filme onde se destaca a impressionante atuação de Bruno Ganz.


2007
KATYN/idem
de Andrzej Wajda
Com Artur Zmiejwski
Em abril de 1940, na floresta de Katyn, Polônia, soviéticos executam cerca de 22.000 oficiais poloneses que se encontravam há meses presos em campos de concentração. Indicado ao Oscar de filme estrangeiro, o drama dirigido pelo veterano cineasta polonês Andrzej Wajda revisita a verdadeira história por trás de um dos maiores massacres da Segunda Guerra Mundial.

"um punhado de bravos"
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CONFIDENCIAL

ISABELLE ADJANI E DANIEL DAY-LEWIS

Eles formavam um dos casais mais bonitos do cinema, estavam no auge do sucesso e viviam uma tempestuosa relação de cerca de cinco anos. Ambos sempre conservaram a reputação mítica de só fazer o que lhes interessam, com longos intervalos no cinema para atuarem nas ribaltas. Quando o tablóide francês “Voici” publicou em 1994 que a temperamental Isabelle Adjani, aos 39 anos, estava grávida de Daniel Day-Lewis, todo mundo começou a imaginar como esta criança seria linda. O triste desta história é que a estrela de “Camille Claudel/Idem” (1988) comunicou a Daniel que ele seria pai através de um recado por fax. Em resposta, o ator britânico terminou o romance com a mesma moeda: via fax. Rompendo com ela, Daniel Day-Lewis rompeu também com o filho Gabriel-Kane. É como se ele não existisse. O assunto ainda é tabu para ele. É só falar no Gabriel que o ator interrompe qualquer entrevista. Atualmente vive a maior parte do tempo na Irlanda com a nova mulher, a cineasta e escritora Rebecca Miller, filha de Arthur Miller. Têm dois filhos e conserva um apartamento em Nova Iorque. Adjani se envolveu um tempo com o compositor Jean-Michel Jarre e atualmente filma “Projet A.A.”.

junho 21, 2011

************* ELVIS PRESLEY EDIÇÃO 1963


elvis presley
(Reportagem de Terry Farrow, publicada na revista “Cinelândia” em janeiro de 1963)

Acima de tudo um rapaz do interior, ELVIS PRESLEY prefere a vida simples de sua cidade no Tennessee. Quando seus compromissos o levam a Hollywood ele se instala em uma elegante mansão alugada com vitrola automática e tudo... Em Bel-Air, o subúrbio de milionários de Hollywood, ergue-se a casa que Elvis sempre ocupa quando vai à cidade do cinema rodar um filme ou gravar discos. Muito branca e moderna, a mansão lhe custa 3.000 dólares mensais e tem uma entrada imponente, estátuas de mármore e um aquário com peixes dourados. Mas Elvis lhe dá o toque especial colocando uma vitrola automática em lugar de honra. A vitrola é idêntica às que se encontram comumente nos bares norte-americanos. Pisca com luzes vermelhas, amarelas, azuis e verdes e é revestida de vidro colorido e brilhante. Dentro, o toca-discos roda os mesmos discos de 45 rpm determinados por um painel de botões na frente. ELVIS PRESLEY pode ter um Rolls Royce, dois Cadillacs e outros luxos adequados ao seu estado de milionário, mas não poderia viver sem sua humilde vitrola automática.

“A vitrola serve para recordá-lo que existe outra vida real, dura, sem artifícios” – diz Tom Diskin, secretário de seu empresário. “Em Elvis não existe nada falso, nem hoje, nem ontem, nem amanhã. E ele não dá a mínima importância ao que possam dizer as pessoas. A vitrola só toca se a gente colocar uma moeda. E quem quiser tocá-la tem de colocar a moeda. Todos os domingos, os rapazes recolhem o dinheiro da máquina e na segunda-feira pela manhã, o dinheiro é entregue ao jardineiro, para seus filhos”. Os “rapazes” na casa pertencem à “comitiva” de ELVIS PRESLEY. O astro tinha uma turma deles, chefiados pelo primo Gene Smith, quando chegou a Hollywood pela primeira vez e até hoje mantém seus “rapazes”, embora alguns rostos tenham mudado. Nos quase cinco anos em que Elvis vem sendo parte do cenário de Hollywood, sua devoção aos velhos amigos e ao seu lar de Memphis, Tennessee, aumentou sempre. Longe de “tornar-se muito Hollywood”, Elvis tenta justamente impedir que a pressão constante e o glamour envolvente da cidade alterem seu tranqüilo modo de vida.

E é por isso que ele não sai de Memphis sem os seus amigos. Eles são o seu elo com o lar, além de lhe prestarem serviços. O grupo atual, chamado em Hollywood de “Os primos de ELVIS PRESLEY” ou “A comitiva”, é chefiado pelos primos Gene e Billy Smith, que tomam conta da coleção de carros de Elvis. De Ray Sitton, que cuida do guarda-roupa. De Red West, seu “stand in”. O dever de Allan Fortes é reservar aposentos nos hotéis. Joe Esposito trata dos assuntos pessoais do cantor. Onde Elvis vai, sua comitiva o segue. Eles o acompanham aos estúdios de filmagens, de gravações, em suas apresentações pessoais e agem como guarda-costas sempre que “O Rei” é cercado por suas frenéticas fãs. Em 1962, Elvis fez dois filmes, “Talhado para Campeão/Kid Galahad” e “Garotas! Garotas! Garotas!/Girls, Girls, Girls” e atualmente trabalha em “Loiras, Morenas e Ruivas/It Happened at the World’s Fair”, uma produção dispendiosa que o tornará ainda mais popular. Entre um filme e outro, gravou três álbuns, um de cada um dos dois filmes e o terceiro, uma coletânea de sucessos: “Potluck”. O ELVIS PRESLEY de hoje é um jovem educado e muito popular, tal como vem sendo nos últimos cinco anos. Sua popularidade firme não é fruto do acaso. Seus discos e filmes são lançados a espaços regulares para mantê-lo vivo aos olhos do público, mas não tanto quanto seus fãs desejariam.


10 PERSONAGENS DE ELVIS

Clint Reno em
AMA-ME COM TERNURA/Love me Tender (1956)
de Robert D. Webb
Com Richard Egan e Debra Paget

Vince Everett em
O PRISIONEIRO DO ROCK/Jailhouse Rock (1957)
de Richard Thorpe
Com Judy Tyler

Danny Fisher em
A BALADA SANGRENTA/King Creole (1958)
de Michael Curtiz
Com Carolyn Jones, Walter Matthau e Dolores Hart

Pacer Burton em
ESTRELA DE FOGO/Flaming Star (1960)
de Don Siegel
Com Steve Forrest, Barbara Eden e Dolores Del Rio

Tulsa McLean em
SAUDADES DE UM PRACINHA/G. I. Blues (1960)
de Norman Taurog
Com Juliet Prowse

Glenn Tyler em
CORAÇÃO REBELDE/Wild in the Country (1961)
de Philip Dunne
Com Hope Lange, Tuesday Weld e John Ireland

Chad Gates em
FEITIÇO HAVAIANO/Blue Hawaii (1961)
de Norman Taurog
Com Joan Blackman e Angela Lansbury

Mike Windgren em
O SERESTEIRO DE ACAPULCO/Fun in Acapulco (1963)
de Richard Thorpe
Com Ursula Andress, Elsa Cárdenas e Paul Lukas

Charlie Rogers em
CARROSSEL DE EMOÇÕES/Roustabout (1964)
de John  Rich
Com Barbara Stanwyck e Joan Freeman

Lucky Jackson em
AMOR A TODA VELOCIDADE/
Viva Las Vegas (1964)
de George Sidney
Com Ann-Margret


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ESTRÉIA

UM GATO EM PARIS

Nos últimos anos, os cineastas franceses fizeram excelentes longas-metragens de animação, como “As Bicicletas de Beleville”  e “O Mágico”, que ganharam distribuição no Brasil. Agora, junta-se a eles o excitante “Um Gato em Paris/Une Vie de Chat” (2010), de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli. Na história, o gato Dino divide o seu dia a dia entre duas casas. De dia, vive na casa de Zoé, a filha de uma policial viúva, cujo marido, também policial, morreu cumprindo o dever; à noite, acompanha as peripécias do ladrão Nico pelos tetos de Paris, ajudando-o a entrar na casa dos outros. Quando essas vidas se entrecruzam, a história toma um rumo que coloca a vida da menina em perigo, mas que ao mesmo tempo leva à solução do crime. Retratando uma Paris nostálgica, logo de início o filme demonstra, através do traço expressivo, que não estamos diante de uma animação infantil. Confirma isso quando revela características dos personagens através de sutilezas. “Um Gato em Paris”  é um filme para se deixar levar sem expectativas ao longo dos seus breves setenta minutos de duração, onde se tem a oportunidade de apreciar, literalmente, uma obra de arte visual sensível, simples e cativante em cada um dos seus preciosos minutos.

************ SALA VIP: “A PELE DO DESEJO”


greta scacchi
Guardo boa recordação da película A PELE DO DESEJO (Salt on Our Skin), de Andrew Birkin, com os excelentes Greta Scacchi (“Verão Vermelho/Heat and Dust”, de James Ivory) e Vincent D´Onofrio (“Nascido para Matar/Full Metal Jacket”, de Kubrick). Os protagonistas terminaram por se casar na vida real e tiveram uma filha, Leila, no mesmo ano do filme. Baseado no romance da escritora, jornalista e feminista francesa Benoîte Croult, o filme é uma história de amor. Ele se chama Gavin MacCall e ela George McEwan. Ele a ama mais que ela a ele, porque os homens sempre amam mais que as mulheres embora demonstrem o contrário. Pede-a em casamento, porém ela não aceita. Não lhe parece um bom partido, não é do seu nível: ela é uma universitária com um brilhante futuro e ele um simples pescador de um pequeno porto na Irlanda. Ele a adora sempre com um amor silencioso, profundo, sofrido, mas se casa sem amor com uma amiga de infância e tem três filhos. Ela também se casa, tem um filho e se divorcia. Seus encontros são uma vez ao ano: ele voa de um continente a outro, cruzando o oceano, para estar com ela somente uma semana e para dizer o quanto a quer. Ela o espera a cada ano com mais ansiedade. Ele não se importa que sua esposa saiba desta relação e sofra com as viagens anuais ao outro lado do mundo, e padece em silêncio. Certa vez, promete regressar como sempre no ano seguinte, porém algo inesperado acontece e ela tem que procurá-lo no seu país... O romance foi chamado de feminista, o filme também. Tem seus admiradores - entre eles, eu - e adversários. “Ela o usava, o desejava, mas não o amava”, disseram. A autora Benoîte Croult sempre defendia a sua personagem: “Ela o amou... Eu sei que o amou, porque ela sou eu. É minha vida...”. Para analisar esta obra discreta e delicada, convidei a poeta grapiúna GENNY XAVIER.


OPOSTOS À FLOR DA PELE

“Ah, meu amor, sejamos verdadeiros
Um com o outro! Pois o mundo, que parece
À nossa frente uma paisagem de sonho,
Tão nova, tão bela, tão variada,
Em realidade não tem nem luz, nem amor, nem alegria,
Nem certeza, nem paz, nem qualquer consolação.”

(Trecho do poema “Dover Beach”, de Matthew Arnold, 
uma referência nas vozes dos protagonistas de “A Pele do Desejo”)

Minhas leituras são como fruta doce numa boca ávida de doçuras, e aguçam meus sentidos que se aninham na poderosa fonte do imaginário. Quando as leituras se materializam na tela do cinema ainda mais me trazem um prazer fartamente saciado. Para mim, um exemplo disso é o livro A PELE DO DESEJO - título original: “Les Vaisseurs Du Coeur”, de 1988 -, da escritora francesa Benoîte Groult, que também virou filme com roteiro e direção do talentoso Andrew Birkin, em 1992, intitulado “Salt on Our Skin”. Benoîte é um tipo de escritora que revela muito de si em suas obras, que narra com ímpeto, paixão e talento, seja do ponto de vista da autobiografia como na construção de suas personagens ficcionais. Uma mulher de personalidade própria, com grande consciência feminina e feminista, que viveu e experimentou seus sonhos e as realidades da sua época. Em A PELE DO DESEJO, a escritora nos põe diante das possibilidades do amor, mesmo quando se vive uma história à parte, alimentada fora das barreiras sociais e intelectuais ou além do tempo e das distâncias.   

Lembro bem das impressões que tive a cerca da leitura do livro e, logo depois, do filme. Sempre faço isso quando uma obra de arte me chama atenção, procuro refletir sobre o que mais me toca e sensibiliza. Com a história de A PELE DO DESEJO foi assim. Um relato de como a vida, num átimo de instante, pode nos confrontar com tudo aquilo que julgamos ser o oposto de nós, o contrário daquilo que idealizamos e que, por cautela, temor ou preconceito, refutamos. A história mostra a trajetória de vida de duas pessoas de classes sociais e universos culturais diferentes. Ele (Gavin), um simples pescador escocês, com pouca instrução escolar; ela (George), uma intelectual francesa, professora de literatura de requintada educação. Ao tornarem-se amantes ambos percebem que não é possível ter uma vida juntos, entretanto, o afeto que não conseguem evitar sempre os põem à prova, fazendo-os rever suas decisões e conceitos pré-estabelecidos. Recheado de belas descrições das várias paisagens por onde a trama se desenrola, de diálogos ricos e profundos e de uma bela química entre os protagonistas, a obra é uma sensível reflexão sobre a necessidade que temos do “outro” e de como o tempo surpreendentemente é capaz de desfazer nossos equívocos.

Enfim,  ao pensar nas voltas e  reviravoltas existenciais traçadas  pelos  protagonistas  de A PELE DO DESEJO, eu inevitavelmente penso em quantas histórias reais já se perderam por conta da falta de coragem que as pessoas têm de serem ousadas, de enfrentarem seus desafios diante daquilo que lhes desarmam ou que lhes escapam da cômoda condição das relações convencionalmente compatíveis. Por isso tudo e para que o leitor pense sobre os sentidos que a vida nos transmite suas lições através da inventividade dos artistas que criam suas obras de arte a partir da transgressão da realidade, eu deixo um pequeno fragmento da narrativa de Groult, no trecho em que o protagonista escreve para sua amada: "Antes eu tinha a impressão de que os dias eram todos parecidos e que eles iam ser parecidos até eu morrer. Até que conheci você... e não me peça para explicar. Só sei que quero segurá-la na minha vida, e nos meus braços de vez em quando, se você concordar. Você considera o que acontece com a gente é um pouco como uma doença. Se é doença, eu não quero me curar. A idéia de que você existe em algum lugar e de que você pensa em mim às vezes me ajuda a viver."

Texto de GENNY XAVIER
Poeta, Ficcionista e Professora de Literatura. 
Autora do blog literário “Baú de Guardados” 


A PELE DO DESEJO
SALT ON OUR SKIN
(1992)

Gênero: Drama
País: Alemanha, Canadá e França
Duração: 111 mins.
Cor
Produção: Bernd Eichinger, Edwin Leicht 
e Martin Moszkowicz (Canal 2 Plus, Neue Constantin Film e RTL Plus)
Direção: Andrew Birkin
Roteiro: Andrew Birkin e Bee Gilbert
Adaptação do romance de Benoîte Groult
Fotografia: Dietrich Lohmann
Edição: Dagmar Hirtz
Música: Klaus Doldinger
Cenografia: Robert W. Laing e Jean-Baptiste Tard
(des. prod.) Zoe MacLeod (d.a.)
Vestuário: Catherine Leterrier
Elenco: Greta Scacchi (“George”), Vincent D’Onofrio
(“Gavin”), Anais Jeanneret, Hanns Zischler
e Claudine Auger

Nota: *** (bom)


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O QUE ESTÁ FAZENDO


AL PACINO

Muitos atores começaram suas carreiras no palco, apesar de a maior parte de seu sucesso ser conseqüência de seus filmes. Al Pacino é um deles e já venceu dois Tony Awards: Melhor Ator Coadjuvante por “Does a Tiger Wear a Necktie?”, em 1969, e Melhor Ator por “The Basic Training of Pavlo Hummel”, em 1977. Atualmente ele faz sucesso na Broadway com o clássico "O Mercador de Veneza", do dramaturgo inglês William Shakespeare, e sua atuação tem recebido ótimas críticas. Ele dá vida ao judeu Shylock, personagem que já tinha representado na versão cinematográfica lançada em 2004. A montagem vem de uma temporada de aplausos no projeto “Shakespeare in the Park”, que anualmente apresenta peças do autor britânico no Central Park durante o verão, e conta a história de um jovem que faz um empréstimo. Caso ele não pague a dívida, terá que pagar com um pedaço de carne do próprio corpo. A obra tem direção de Daniel Sullivan, está em cartaz no Broadhurst Theatre, em Nova York, e inclui uma piscina montada no palco para a cena em que o protagonista judeu de Pacino é violentamente obrigado a se converter ao cristianismo.