dezembro 18, 2010

********** "O FALCÃO MALTÊS" É PREMIADO!


selo do "prêmio dardos"

O nosso blog acaba de receber o PRÊMIO DARDOS, em reconhecimento por sua divulgação cultural. A indicação veio da paulista Danielle Crepaldi Carvalho, Doutoranda e mestre em Teoria Literária pela UNICAMP e autora do sofisticado e irresistível blog “Filmes, Filmes, Filmes!” (acessar link: “No Tapete Vermelho”).

O prêmio, criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade em 2008, em uma postagem do seu blog “Leyendas de El Pequeño Dardo”, homenageia blogs que “reconoce los valores que cada blogger muestra cada día en su empeño por transmitir valores culturales, éticos, literarios, personal, etc.., que en suma, demuestra su creatividad a través su pensamiento vivo que está y permanece, innato entre sus letras, entre sus palabras rotas” (traduzindo: “que transmitem valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras).

PRÊMIO DARDOS se espalhou pela Internet, chegando até esta revista eletrônica, lançada em outubro de 2010, que valoriza o universo cinematográfico clássico. De acordo com as regras, como premiado, o nosso blog deve indicar alguns blogues que visitamos e reconhecemos como fonte de conhecimento e aprendizado cultural. Vamos aos escolhidos:

http://ohomemsemnome.blogspot.com/
de Leandro Afonso Guimarães




Obrigado Danielle e Zambade! Fiquei feliz!

dezembro 16, 2010

**************** O NATAL EM 12 FILMES

natal branco

NATAL! Cidades decoradas com luzes que piscam, Papai Noel morando em shoppings, canções natalinas soando nos lugares mais improváveis, confraternizações, amigos-secretos, gente fazendo compras, a emoção de crianças e adultos, cartões on-lines e filmes sobre o tema na TV e nos cinemas. O nosso blog não resistiu e entrou no clima, fazendo uma listinha com 12 longa-metragens natalinos. Poucos deles são grandes títulos, mas todos são encantadores, atraentes e agradam multidões até hoje em todo o mundo.

De todas as datas comemorativas, o NATAL foi a que recebeu as abordagens mais diversas pelo cinema, desde melodramas a comédias leves ou ácidas, passando por dramas familiares, fábulas, musicais e filme de animação. Um filão que não se esgota. Recentemente o ator Selton Mello dirigiu o intenso “Feliz Natal” (2008), seu primeiro filme, onde um desajustado (Leonardo Medeiros) que mora no interior, com a proximidade do Natal, faz um balanço de sua vida e decide procurar sua complicada família na capital. No francês “Um Conto de Natal” (Um Conte de Noël), de Arnaud Desplechin, também de 2008, com a diva Catherine Deneuve, um casal traumatizado pela perda de seu filho precisa se reunir com a família após muitos anos, na noite de Natal, para que possam tomar juntos difíceis decisões.

Da nossa seleção com espírito natalino, o meu favorito é “A Felicidade Não Se Compra”, do mestre Frank Capra, um dos filmes mais comoventes e reprisados no final do ano. E o seu?

ADORÁVEL AVARENTO (Scrooge, 1970), de Ronald Neame. Com Albert Finney e Alec Guinness


AGORA SEREMOS FELIZES (Meet Me In St. Louis, 1944), de Vincente Minnelli.  Com Judy Garland, Margaret O'Brien e Mary Astor

UM ANJO CAIU DO CÉU (The Bishop’s Wife, 1947), de Henry Koster. Com Cary Grant, Loretta Young e David Niven

DE ILUSÃO TAMBÉM SE VIVE
(Miracle on 34th Street, 1947), de George Seaton. Com John Payne, Maureen O'Hara, Edmund Gwenn e Natalie Wood

DUAS SEMANAS DE PRAZER (Holiday Inn, 1942), de Mark Sandrich. Com Bing Crosby, Fred Astaire e Marjorie Reynolds

DUAS VIDAS SE ENCONTRAM (Holiday Affair, 1949), de Don Hartman. Com Robert Mitchum, Janet Leigh e Wendell Corey

A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (It’s a Wonderful Life, 1946), de Frank Capra. Com James Stewart, Donna Reed, Lionel Barrymore e Gloria Grahame

FÉRIAS DE NATAL (Christmas Holiday, 1944), de Robert Siodmak. Com Deanna Durbin, Gene Kelly e Gale Sondergaard

INDISCRIÇÃO (Christmas in Connecticut, 1945), de Peter Godfrey. Com Barbara Stanwyck, Dennis Morgan e Sydney Greenstreet

A LOJA DA ESQUINA (The Shop Around Corner, 1940), de Ernst Lubitsch. Com Margaret Sullavan, James Stewart e Joseph Schildkraut

NATAL BRANCO (White Christmas, 1954), de Michael Curtiz. Com Bing Crosby, Danny Kaye e Rosemary Clooney

VENENO DE COBRA
(Were No Angels, 1954), de Michael Curtiz. Com Humphrey Bogart, Joan Bennett, Peter Ustinov, Aldo Ray e Basil Rathbone

"a felicidade não se compra"

************ ROBERT MITCHUM NA PRISÃO!!!!



Natural de Connecticut (EUA), nascido em 1917, o carismático ROBERT MITCHUM trabalhou com os melhores cineastas do seu tempo: Otto Preminger, Nicholas Ray, Robert Wise, John Huston, Howard Hawks, Fred Zinnemann, Vincente Minnelli, David Lean, Joseph Losey, Elia Kazan etc. Na velhice, barrigudo e pesadão, ele gostava de contar histórias sobre sua juventude esbelta, antes de ir para Hollywood, trabalhando como estivador e cavador de valas, vivendo sem destino ao viajar clandestinamente de trem, até que foi preso por vadiagem e cumpriu pena acorrentado. Anos depois, em fevereiro de 1949, esteve em cana novamente, sendo fotografado lavando o chão da cadeia do condado de Los Angeles logo depois de ser condenado.

O caso foi o seguinte: Bob Mitchum, não apenas aspirante a astro, mas um novo tipo de ator, cínico, lacônico e sexy, com um salário de 3.250 dólares por semana, havia sido apanhado fumando um baseado. “Claro, fumo maconha desde criança”, disse na ocasião com a maior naturalidade. As circunstâncias da prisão são um pouco estranhas. Ele estava numa festinha de arromba na casa de uma atriz desconhecida, Lila Leeds, quando repentinamente a polícia arrombou a porta do lugar. Isso não é tudo. O local estava com escuta: havia um microfone na parede. O mais suspeito foi a imprensa sensacionalista saber do escândalo antes da polícia invadir a casa. “Bem, esse é o fim amargo de tudo – da minha carreira, do meu lar, do meu casamento”, disse o ator naquele momento. 

Condenado a prisão por 60 dias, com mais dois anos de sursis, o fato é que, naqueles dias medrosos de 1949, tudo se baseava na idéia de que o público se sentiria ultrajado e chocado ao saber que um astro de cinema fumava maconha. A RKO Radio Pictures, que imaginou amargar prejuízos com os filmes do ator prontos para serem lançados, ao receber milhares de cartas defendendo-o, mesmo com receio, exibiu comercialmente um deles, “O Homem que Eu Amo” (1948), um western com Loretta Young e William Holden. Para espanto de todos, o filme chegou ao primeiro lugar na lista de maior bilheteria em todo o país. Supunha-se que o ator fosse para a prisão e sofresse, marginalizado, condenado inevitavelmente ao ostracismo, mas muito pelo contrário, saiu de lá como uma espécie de herói popular, tornando-se uma super estrela.

BOB MITCHUM morreu em 1997. Em um dos seus últimos personagens, aos 74 anos, o Tenente Elgart de “Cabo do Medo” (1991), de Martin Scorsese, reviveu o thriller clássico estrelado por ele e Gregory Peck, “Círculo do Medo” (1961), onde fazia um dos mais terríveis vilões da história do cinema: o psicopata Max Cady.

(Fonte: “A Cidade das Redes – Hollywood nos Anos 40”, de Otto Friedrich, 1986 e “Diccionario de Actores”, de José Luis López, 1993)


dezembro 15, 2010

****************** SALA VIP: "O CRIADO


sarah miles como vera

PATRÃO E EMPREGADO, JOGO ARRISCADO

Uma das vítimas do esquecimento no meio cinematográfico tem sido, sem dúvida, Joseph Losey. No entanto, não há como negar sua competência, evidente no mítico O CRIADO, um autêntico fenômeno na sua época e o primeiro da fértil colaboração entre o cineasta e o dramaturgo Harold Pinter, mestre em diálogos precisos e marcantes. Relato claustrofóbico, cinzento, trancafiado no interior de uma residência burguesa inglesa, traduz-se pela direção expressiva, complexa composição de enquadramentos (com a presença eminente de espelhos e sombras), câmera de Douglas Slocombe em permanente movimento, trilha sonora envolvente e exploração eficaz da relação entre os atores e o cenário enigmático, destacando-se a composição de Dirk Bogarde, que se consagrou como Hugh Barrett.

Todo o arsenal narrativo está a serviço de uma parábola em torno da dominação progressiva de um patrão por seu criado diabólico. O sádico servo, evidenciando esse terreno pantanoso que costumamos chamar de natureza humana, traça a destruição moral do fraco e elegante patrão, numa inversão de poder que adquire ressonâncias sexuais – desde a inclusão de Vera (excelente atuação de Sarah Miles) como a suposta irmã do criado (sendo sua amante) e instrumento do ardil amoroso, até a solução ambígua da relação entre Hugo e o patrão Tony (eficaz James Fox). Tenso e inteligente, de atmosfera lânguida e aterrorizante, não merece ser esquecido, assim como o seu diretor, que fugiu da “caça às bruxas” maccartista em sua América natal, brilhando na Inglaterra com obras como “Acidente” (1966) e “O Mensageiro” (1970). Iniciada como um retrato de costumes, O CRIADO toma um rumo no qual, ao final, o clima é de pesadelo. Trata-se de uma obra de mestre, uma narrativa sugestiva sobre a misteriosa atração entre dois personagens - amo e criado - que se absorvem mutuamente.

O CRIADO
THE SERVANT
(1963)

País: Inglaterra
Gênero: Drama
Duração: 111 mins.
P & B
Produção: Joseph Losey e Norman Priggen
(Springbok Production)
Direção: Joseph Losey
Roteiro: Harold Pinter
Adaptação do romance de Robin Maugham
Fotografia: Douglas Slocombe
Edição: Reginald Mills
Música: John Dankworth
Cenografia: Richard MacDonald (des. prod.); Ted Clements (d.a.);
Vestuário: Beatrice Dawson
Elenco:
Dirk Bogarde (“Hugh Barrett”), Sarah Miles (“Vera”),
Wendy Craig, James Fox (“Tony”), Catherine Lacey, 
Richard Vernon, Patrick Magee, Anne Firbank,
Doris Knox e Harold Pinter

Nota: **** (muito bom)


Prêmios:
Melhor Roteiro do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York
BAFTA de Ator, Fotografia e Revelação (Fox)


***************** FILMES E MULHERES


jessica tandy ("tomates verdes fritos")

Hoje eu quero aqui dar algumas dicas de filmes que tratam da questão da mulher e que são, além disso, obras de arte, delicadas e bem-feitas, cheias de questionamentos, interrogações, perplexidades, reflexões e – por que não? – diversão.

São filmes que trabalham quase todos na vertente da auto-estima feminina e da sua capacidade de virar o jogo e se afirmar, mesmo que isso resulte na destruição e na morte como vemos, por exemplo, em THELMA E LOUISE onde as protagonistas, depois de um verdadeiro “tour de force” para escapar do machismo e seus preconceitos, encontram a liberdade na auto-destruição. Mas nem todos são assim trágicos.

O belíssimo FLORES DE AÇO mostra mulheres de todas as idades, cada uma delas com seus problemas pessoais e particulares, que se agudizam em torno do casamento da personagem vivida por Julia Roberts. O filme é mesmo um belo hino à maternidade, e tem um desempenho magistral de Shirley MacLaine.

O CLUBE DA FELICIDADE E DA SORTE traz a história de mulheres de gerações diferentes, mães e filhas, imigrantes chinesas, vivendo nos Estados Unidos. A evocação dos dramas vividos no país natal, a forma como se relacionam com a sociedade americana e o dilema entre essas duas culturas faz desse filme uma grande obra de arte, sem contar a beleza das atrizes, todas orientais.

Winona Ryder está em COLCHA DE RETALHOS, representando uma jovem indecisa frente ao casamento. Sua mãe e amigas decidem bordar para ela uma “colcha de casamento”, seguindo a tradição, e enquanto constroem o bordado vão resgatando episódios passados de suas vidas, e resolvendo velhas pendências. Quando a colcha fica pronta, nada mais é como antes. Os desempenhos de Anne Bancroft e Ellen Burstyn são absolutamente magistrais.

Já em TOMATES VERDES FRITOS a narrativa se divide em dois níveis: enquanto duas mulheres rememoram o passado, a vida de uma delas vai se transformando, inspirada no exemplo dos relatos. A tônica do filme é o amor e a solidariedade entre mulheres, num mundo repleto de preconceitos e dificuldades.

Finalmente, o divertido CLUBE DAS DESQUITADAS, onde três mulheres abandonadas pelos maridos vão à forra; A GAROTA DE ROSA SHOCKING, saboroso romance adolescente e, como é impossível resistir a uma história de Cinderela, o manjadíssimo UMA LINDA MULHER, que sempre faz sonhar quem assiste. É isso aí.

Texto de CLOTILDE TAVARES

***************** GLOBO DE OURO 2011


"a origem", de christopher nolan

A Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood anunciou esta semana, em Beverly Hills, os indicados ao 68º GLOBO DE OURO, o prêmio mais importante do cinema norte-americano depois do Oscar. A valorizada premiação já foi considerada o principal termômetro para o Oscar, mas não vale mais tal afirmação, afinal nos últimos seis anos só “Quem Quer Ser Um Milionário?” ganhou os dois prêmios. Os votos são de um grupo de 85 jornalistas, não críticos, correspondentes estrangeiros sediados em Los Angeles. Este ano, os filmes "O Discurso do Rei" (de Tom Hooper), "A Rede Social" (de David Fincher) e “O Vencedor” (de David O. Russell) saíram como favoritos, com sete indicações o primeiro e seis os dois últimos. Atualmente em cartaz no Brasil, o longa-metragem sobre a história do Facebook foi eleito Melhor Filme do ano pelas Associações de Críticos de Los Angeles e de Nova York.

O GLOBO DE OURO é uma premiação séria e eficiente, embora tenha cometido muita bobagem no passado. Somente me parece absurda essa separação entre Drama e Comédia/Musical. Um filme dramático pode muito bem disputar com uma comédia, como acontece em qualquer premiação mundo afora. Porém, pensando melhor, talvez seja esse o diferencial da premiação da Foreign Press Association. Uma curiosidade deste ano, cujo resultado será conhecido em 16 de janeiro, é que nenhum medalhão lendário – como é habitual - concorre ao prêmio (com exceção de Michael Douglas, que não é essa coca-cola toda).

Sou fã de carteirinha de Tim Burton, mas “Alice no País das Maravilhas” seguramente foi um dos piores filmes do ano. Na verdade, as indicações na categoria comédia ou musical são constrangedoras, com títulos medíocres. Angelina Jolie e Mark Wahlberg concorrendo a prêmios de atuação parece piada. Já “A Origem” tem cadeira cativa na minha lista dos dez mais de 2010 e não entendo como esqueceram Leonardo DeCaprio. Vou torcer também por “Biutiful”, Natalie Portman, James Franco, Annette Bening, Johnny Depp, Helena Bonham Carter e Geoffrey Rush. Espero vê-los na disputa do prêmio da Academia de Hollywood. São minhas preferências – não, necessariamente, minhas apostas. Lembro também que não vi todos os indicados. E você, caro leitor?

Confira a lista completa:

MELHOR FILME/DRAMA:


“A Origem”, “A Rede Social”, “Cisne Negro”, “O Discurso do Rei” e “O Vencedor”.


MELHOR FILME/COMÉDIA OU MUSICAL:


“Alice no País das Maravilhas”, “Burlesque”, “Minhas Mães e meu Pai”, “O Turista” e “Red - Aposentados e Perigosos”.


MELHOR FILME ESTRANGEIRO:


“Biutiful” (México/Espanha), “Io Sono L'Amore” (Itália), “Kray” (Rússia), “Le Concert” (França) e “Haevnen (Dinamarca).



MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO:


“Como Treinar o seu Dragão”, “Enrolados”, “Meu Malvado Favorito”, “O Ilusionista” e “Toy Sory 3”.


MELHOR DIREÇÃO:

Christopher Nolan (“A Origem”), Darren Aronofsky (“Cisne Negro”), David Fincher (“A Rede Social”), David O. Russell (“O Vencedor”) e Tom Hooper (“O Discurso do Rei”).


MELHOR ROTEIRO:

Aaron Sorkin (“A Rede Social”), Christopher Nolan (“A Origem”), Danny Boyle e Simon Beaufoy (“127 Horas”), David Seidler (“O Discurso do Rei”) e Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg (“Minhas Mães e meu Pai”).



MELHOR ATRIZ/DRAMA:


Halle Berry (“Frankie e Alice”), Jennifer Lawrence (“Inverno da Alma”), Michelle Williams (“Blue Valentine”), Natalie Portman (“Cisne Negro”) e Nicole Kidman (“Rabbit's Hole”).


MELHOR ATOR/DRAMA:


Colin Firth (“O Discurso do Rei”), James Franco (“127 Horas”), Jesse Eisenberg (“A Rede Social”), Mark Wahlberg (“O Vencedor”) e Ryan Gosling (“Blue Valentine”).


MELHOR ATRIZ/COMÉDIA OU MUSICAL:


Anne Hathaway (“Amor e Outras Drogas”), Annette Bening (“Minhas Mães e meu Pai”), Angelina Jolie (“O Turista”), Emma Stone (“Easy A”) e Julianne Moore (“Minhas Mães e meu Pai”).


MELHOR ATOR/ COMÉDIA OU MUSICAL:


Jake Gyllenhaal (“Amor e Outras Drogas”), Johnny Depp (“Alice no País das Maravilhas”), Johnny Depp (“O Turista”), Kevin Spacey (“Casino Jack”) e Paul Giamatti (“Minha Versão para o Amor”).


MELHOR ATRIZ COADJUVANTE:


Amy Adams (“O Vencedor”), Helena Bonham Carter (“O Discurso do Rei”), Jacki Weaver (“Animal Kingdom”), Melissa Leo (“O Vencedor”) e Mila Kunis (“Cisne Negro”).



MELHOR ATOR COADJUVANTE: 

Andrew Garfield (“A Rede Social”), Christian Bale (“O Vencedor”), Geoffrey Rush (“O Discurso do Rei”), Jeremy Renner (“Atração Perigosa”) e Michael Douglas (“Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme”).


MELHOR TRILHA ORIGINAL:


A.R. Rahman (“127 Horas”), Alexandre Desplat (“O Discurso do Rei”), Danny Elfman (“Alice no País das Maravilhas”), Hans Zimmer (“A Origem”) e Trent Reznor e Atticus Ross (“A Rede Social”).


MELHOR CANÇÃO ORIGINAL:


"Bound to you" (“Burlesque”), "Coming Home" (“Country Strong”), "I see the light" (“Enrolados”), "There’s a Place for Us" (“As Crônicas de Nárnia: A Viagem do Peregrino da Alvorada”) e "You haven’t seen the last of me" (“Burlesque”).

dezembro 09, 2010

**** ANDRUCHA E A ESPANHA DO SÉC. DE OURO


A cinebiografia de Lope de Vega estreará nos cinemas brasileiros em março de 2011. LOPE, uma co-produção hispano-brasileira com direção de ANDRUCHA WADDINGTON (“Casa de Areia”), relata os primeiros passos como escritor de Félix Lope de Vega (1562-1635), um dos expoentes do Século de Ouro e do barroco espanhóis, contemporâneo de Miguel de Cervantes, que se tornaria um autor prolífico e, sobretudo, dramaturgo. Na trama, é apenas um jovem que chega a Madri e está prestes a descobrir o teatro e o amor. Para interpretar o papel-título, o escolhido foi o ator argentino Alberto Ammann, vencedor do prêmio Goya por seu desempenho excepcional em “Cela 211”, de Daniel Monzón. No elenco, as atrizes espanholas Pilar López de Ayala e Leonor Watling; e os brasileiros Selton Mello e Sonia Braga. Sonia, que construiu carreira sólida no cinema internacional, vive a espanhola Paquita, mãe de Lope, e para tal se apresenta bastante envelhecida, mas na vida real a atriz continua em plena forma, como deixou evidente recentemente na minissérie “As Cariocas”, de Daniel Filho.

Um dos mais importantes nomes da literatura e da dramaturgia mundiais, Lope de Vega foi um grande inovador, tendo publicado, em 1609, “Nuevo Arte de Hacer Comedias en Este Tiempo”, um dos primeiros ensaios sobre dramaturgia. Escreveu comédias, romances, poemas épicos, líricos e burlescos, livros religiosos e históricos. O roteiro do filme é de Ignácio del Moral e Jordi Gasull. O brasileiro Ricardo Della Rosa assina a direção de fotografia. As filmagens aconteceram na Espanha e no Marrocos. Recentemente, LOPE foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Toronto. Também foi selecionado e exibido no tradicional Festival de Veneza. Aqui no Brasil, marcou presença no Festival do Rio 2010 e na Mostra Internacional de São Paulo.

pilar lópez de ayala

Fragmento da entrevista de Carol Almeida com Andrucha Waddington para o site Terra:

Como foi sua interferência na escolha do elenco?

Durou um ano. Passei um ano vendo o cenário espanhol. As primeiras a entrarem no elenco foram a Pilar López de Ayala e a Leonor Watling. E eu não tinha o "Lope", que é o Alberto Ammann. Na verdade eu tinha algumas opções, só que eu queria um ator desconhecido. Aí as produtoras de elenco me apresentaram um teste do Alberto cinco semanas antes de começarem as filmagens. E aí eu falei: para tudo que esse cara é genial. Passei um dia fazendo audição com ele e ele foi maravilhoso. Os produtores, que queriam um ator mais conhecido no papel, terminaram me dando razão quando viram o teste com o Alberto.

O fato de Lope ser interpretado por um ator argentino teve alguma repercussão na Espanha?

Houve, mas na verdade a coisa é a seguinte. O Alberto nasceu na Argentina, mas foi criado na Espanha. Então ele tem um sotaque absolutamente espanhol e se considera um cidadão espanhol. Houve também um certo ruído pelo fato de eu ser um diretor brasileiro. Mas acho que o cinema é uma linguagem universal. O cinema americano inteligentemente percebeu isso há muito tempo e importa diretores de vários pontos do mundo. Quando li o roteiro desse filme pela primeira vez, conhecia pouco do Lope, mas me apaixonei pela possibilidade de contar a história da fundação de um artista, através de um ícone da cultura espanhola. E aí tive quatro anos pra estudar e ficar familiar à obra de poema e teatral de Lope, à sua biografia, ao Século de Ouro, aos costumes da época.

E a escolha de Selton Mello e Sonia Braga, como foi?

A de Selton Mello aconteceu porque o personagem de Marquês de Las Navas era um português e eu, que tinha vontade de trabalhar com Selton há um tempão, achei que ele ia arrebentar naquele personagem que é tão-somente um playboy da época. E a Sonia eu também tinha vontade de trabalhar há muito tempo e achei legal propor pra ela fazer uma velhinha. E ela topou na hora e foi ótimo.


dezembro 08, 2010

*************** ADEUS, CARO MONICELLI


mario monicelli

O lúcido e irônico cineasta MARIO MONICELLI, considerado um dos mestres da comédia à italiana, morreu no mês passado aos 95 anos. Ele suicidou-se saltando da janela do quarto andar do hospital San Giovanni, em Roma, onde estava internado devido a um câncer de próstata em fase terminal. Com uma carreira prolífica e extremamente irreverente, não é de se espantar que saia de cena desta maneira, surpreendendo a todos de forma trágica e com uma atitude totalmente inusitada. Filho de um crítico teatral e jornalista, o comunista ferrenho Monicelli nasceu em Viareggio, na Toscana (Itália), onde passou a infância. Até o final de 1940, colaborou em cerca de 40 filmes, às vezes como roteirista, outras como diretor-assistente. O começo oficialmente registrado de seu trabalho ocorre em 1949, em parceria com Steno, em “Totó Cerca Casa”, já começando a imprimir seu particular estilo narrativo, simples, mas eficaz e funcional. 

Em 1953, inicia a carreira solo, que seria marcada por vários êxitos. O primeiro deles é considerado a semente da tradicional “commedia all'italiana”, um gênero que floresceria nas duas décadas seguintes. Esse filme, “Os Eternos Desconhecidos” (1958), apresenta um elenco especial, composto por várias estrelas do cinema italiano. Em 1959, lança outra obra-prima, "A Grande Guerra", ganhando o Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza, e rendendo sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A segunda viria em 1963, com "Os Companheiros", com Marcello Mastroianni no papel de um militante de esquerda que entrega a vida à causa. 
MARIO MONICELLI também produziu para o teatro e a televisão, mas ficou conhecido principalmente pelos 65 filmes. Sempre crítico, tinha o raro dom de fazer um cinema com conteúdo que diverte. Era o humor negro levado ao excesso, ao limite da ironia e do escárnio. Em contrapartida, podia ser terno, doce e melancólico. Se há algo que ligue os seus filmes, é seu olhar compreensivo em relação aos personagens ridículos e patéticos que ele acreditava que faziam parte de todos nós. 


dezembro 07, 2010

********* LA MOVIDA: LUZ, CÂMERA... ¡ACCIÓN!


antonio banderas e carmen maura em "a lei do desejo"
Os céus de Madri que enfeitiçaram Goya e Velázquez também são uma dádiva para cineastas. Muitos deles mostraram sua arquitetura e contrastes em várias obras-primas. Entretanto, a força criativa do cinema madrileno foi especialmente intensa durante a MOVIDA, a liberação cultural e sexual embalada pelas drogas que seguiu a transição democrática dos anos 1970 e início dos 80. A palavra movida significa agitação, mas é também uma gíria para “tráfico de drogas”, “avião”. Essa rebelião boêmia da classe média contra a organização social que vigorava até recentemente, assumiu uma postura nacionalista e assimilou valores tradicionais espanhóis sob excêntrica roupagem. 

Talvez o centro das manifestações cinematográficas da Movida tenha sido o Cine Alphaville, que mudou de nome, recentemente, para Golem. Este cinema ainda na ativa, inaugurado em 1977 (quando a transição pacífica para a democracia e a liberdade estava assegurada), incluía nas primeiras sessões ícones underground e as mais transgressoras obras espanholas da época, como “Arrebato” (1980), de Iván Zulueta, uma colagem febril de clichês de horror, vistos pela perspectiva paranóica do protagonista. O antigo Alphaville continua exibindo filmes engajados, ostentando o impressionante recorde de dez anos de sessões noturnas de “Labirinto de Paixões” (1982), co-produzido pelo próprio cinema. Esse filme de Pedro Almodóvar é uma farsa absurda e melodramática que tem como personagens uma ninfomaníaca chamada Sexilia (Cecilia Roth), um terrorista muçulmano gay, Sadec (Antonio Banderas), e o filho do ditador do fictício país Tiran, Riza Niro (Imanol Arias). Além de Almodóvar, Fernando Trueba, Fernando Colomo, Manuel Iborra e o já citado Zulueta foram cineastas emblemáticos da época.

Assim como nos filmes urbanos, a Movida foi documentada na revista “La Luna”, na música alternativa (Alaska y los Pegamoides, Los Zombies, Parálisis Permanente, Nacha Pop, Los Secretos, Ejecutivos Agresivos, Gabinete Caligari, Los Zombies etc.), nas fotografias de Alberto García-Alix e Gorka de Duo, na pintura de El Hortelano e Miguel Trillo, na moda fashion de Ágatha Ruiz de la Prada, no graffite de Juan Carlos Argüello «Muelle», na literatura da Tertulia de Creadores e em programas de TV apresentados pela atriz Carmen Maura e Paloma Chamorro. Carmen, a primeira musa de Almodóvar, atuou junto à cantora punk Alaska em “Pepi, Luci, Bom y Otras Chicas del Montón” (1980), um melodrama escatológico sobre a solidariedade feminina. Pepi (Maura) e Bom (Alaska) tentam libertar a masoquista Luci (Eva Siva) de seu casamento com um policial que a respeita demais para bater nela. Luci torna-se groupie de uma banda punk, o que desencadeia os ciúmes do marido, que passa a surrá-la inconscientemente, conduzindo a um final feliz. Boa parte das cenas foram filmadas na lendária boate Rock-Ola (um local escuro, extravagante e encardido, abarrotado de glams, punks e roqueiros).

Os abusos de drogas e a Aids terminaram por degradar o clima despreocupado da Movida. As drogas haviam sido o principal estímulo para o modo de vida desses artistas irreverentes (em “Que Fiz Eu Para Merecer Isto?” (1984), o filho traficante de Gloria/Carmen Maura, dona-de-casa que cheira cola, aconselha a mãe a não se envolver com drogas mais pesadas). Infelizmente, a boate Rock-Ola, um dos pontos de encontro da época, tornou-se um supermercado. Outros ícones também se foram, como a discoteca Carolina, que se tornou uma loja de roupas. Apesar disso, o Alphaville (agora, Golem) e os clubes El Penta, La Vía Láctea e El Sol resistem. Chueca, onde Almodóvar filmou “A Lei do Desejo” (1987), hoje é o bairro da moda conhecido como o Soho de Madri. A MOVIDA MADRILENA, um fenômeno único, hoje definitivamente morto, em definitivo, representou uma época criativa de liberação, rebeldia e diversão de uma geração que estava despertando. Época em que os jovens espanhóis se viram livres da ditadura e descobriram as drogas, a boêmia, o sexo livre e a chamada contracultura.

fábio mcNamara e pedro almodóvar

****** AVA GARDNER: UMA MULHER EM FOGO


ava gardner
A super estrela hollywoodiana AVA GARDNER (1922-1990) era sensual até a raiz dos cabelos. Considerada uma das maiores deusas do cinema, nasceu numa fazenda de tabaco, filha de fazendeiros pobres. Aos 18 anos, uma foto sua colocada na vitrine do estúdio fotográfico de seu cunhado, em Nova York, chamou a atenção da Metro-Goldwyn-Mayer, que a contratou por sua estonteante beleza. Participou de mais de 60 filmes e teve três casamentos fracassados. Segundo o dramaturgo e cineasta francês Jean Cocteau, era "o animal mais belo do mundo”, slogan que a atriz odiava. Amava os homens e as touradas. Teve tórridos affairs. Isso alimentou o seu mito. Em 1955, no auge do sucesso, mudou-se para a Espanha, tornando-se fã do flamenco e de toureiros. Tudo começou em 1950, antes da fama deste país como destino turístico. 

Filmando “Pandora” (1951), de Albert Lewin, em Tossa de Mar, ela descobriu o poder de sedução da vida noturna espanhola, sua cultura romântica e alguns ardentes toureiros, estabelecendo uma sincera e duradoura conexão com o país. A Pandora de Ava é essa mulher que destrói tudo e todos a seu redor, até que surge em sua vida o Holandês Voador, personagem enigmático que James Mason dota de uma aura mística. Ava/Pandora, como a mulher que aprende a amar, é a representação do belo. Na ocasião, a estrela estava na mira da imprensa internacional, tanto por sua agitada vida social como por seu trabalho cinematográfico. Era responsabilizada publicamente pela ruptura do matrimônio Frank-Nancy Sinatra. Seu apaixonado romance com “La Voz”, cheio de brigas, bebedeiras e tentativas de suicídio, não impediu que, uma vez na Espanha, aproveitasse para dar vazão a excessos sem o controle dos puritanos grandes estúdios norte-americanos.

Desenvolvendo sua paixão pela tauromaquia, Ava se envolveu inicialmente com o toureiro Mario Cabré, que lhe dedicou vários poemas e arriscou sua vida por ela nas arenas. Em 1953, enquanto rodava na África “Mogambo” – responsável por sua única indicação ao Oscar – e em plena crise com Sinatra, descobriu que estava grávida e foi abortar em Londres, mas uma escala em Madri levou-a aos braços de Luis Miguel Dominguín, o toureiro mais famoso da época. Ao filmar na Itália “A Condessa Descalça” (1954), de Mankiewicz, aprofundou sua relação com Dominguín, com o qual viveu maratonas de sexo. Comprando uma casa em La Moraleja, estabeleceu um quartel general para festas que duravam todo um final de semana e que incluíam corridas de touros e apresentações de flamenco, convertendo-a numa presença habitual na vida social espanhola.

Representado tudo o que os espanhóis censuravam – uma mulher que vivia sozinha, divorciada, não era católica e, além disso, atriz -, AVA GARDNER passou a ser considerada uma ameaça para a sociedade “respeitável”, sendo vetada em lugares como o Hotel Ritz, de Madri. Finalmente, em 1961, aos 39 anos, depois do suicídio de um dos parceiros de sua longa farra espanhola, o escritor Ernest Hemingway (ela havia protagonizado duas adaptações de seus romances: “As Neves de Kilimanjaro” e “E Agora Brilha o Sol”), do fracasso do filme “La Maja Desnuda” (1958) e de um acidente que deixou incômodas seqüelas, a formosa atriz finalizou sua popular, apaixonada e tormentosa relação com a Espanha, mudando-se para o sombrio Reino Unido.

(Fonte: “Ava Gardner: Una Diosa con Pies de Barro”, de Lee Server e “Beber-se a Vida, Ava Gardner em Espanha", de Marcos Ordóñez.)



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UM PROBLEMA DE AMOR

Com A NOITE AMERICANA (La Nuit Américaine – França/ Itália, 1973), François Truffaut nos relembra, pelo menos, duas coisas. A primeira é que, provavelmente, nenhum cineasta transpareceu tanto amor pelo cinema como ele. Já a segunda é a – nada nova – certeza de que um autor pode fazer o mesmo filme várias vezes sem soar repetitivo.

Temos aqui boa parte dos percalços que podem acontecer em uma filmagem, influenciada por seres animados e inanimados, racionais e irracionais. A tendência é o completo caos, só que Truffaut encara a tendência ao caos em A NOITE AMERICANA da mesma maneira que ele aborda as relações humanas. Com a sempre presente dose de melancolia, humor e carinho, ele volta a se mostrar não somente um apaixonado pelas mulheres, mas também um cuidadoso observador dos relacionamentos de seus personagens. O adendo é que o protagonista daqui não é seu alter-ego Antoine Doinel (embora Jean-Pierre Léaud sempre traga semelhanças), mas sim sua eterna amante: o cinema.

Quando Alphonse (Léaud) frisa à namorada que “existem 37 cinemas na cidade e você está pensando em comer?”, quando o diretor Ferrrand (interpretado pelo próprio Truffaut) diz “o cinema reina”, pode-se falar em romantização. Mas ela, potencializada pelo humor, não atrapalha. Por outro lado, se sabor agridoce, muitas vezes com maior tendência amarga, mais de uma vez acomete os personagens (como costuma acontecer nos filmes de Truffaut sobre “eles”), o cinema passa também por obstáculos semelhantes. A diferença é que “os filmes são mais harmoniosos que a vida”, o que Truffaut nos leva à crer não somente através da palavra, mas pela câmera, de quem cuidava tão bem.

A regra de que, muitos defendem, a centelha do prazer só existe no primeiro filme ou no início de carreira, não valia para Truffaut. Obras-primas como “Os Incompreendidos (1959) e Jules e Jim (1962), por exemplo, de nada adiantaram. Em A NOITE AMERICANA, como em toda a sua carreira, ele se mostrou um apaixonado pela vida, um dependente do cinema.

Texto de LEANDRO AFONSO GUIMARÃES

jean-pierre aumont e valentina cortese em "a noite americana"

A NOITE AMERICANA
LA NUIT AMÉRICAINE
(1973)

País: França e Itália
Gênero: Comédia
Duração: 115 mins.
Cor
Produção: Marcel Berbert (Les Fils Du Carrosse/PIC)
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut, Jean-Louis Richard
e Suzanne Schiffman
Fotografia: Pierre-William Glenn
Edição: Yann Dedet e Martine Barraqué
Música: Georges Delerue
Cenografia: Damien Lanfranchi (d.a.)
Vestuário: Monique Dury
Elenco:
Jacqueline Bisset (“Julie Baker”), Valentina Cortese (“Séverine”),
Dani (“Liliane”), Alexandra Stewart (“Stacey”),
Jean-Pierre Aumont (“Alexandre”), Jean Champion (“Bertrand”),
Jean-Pierre Léaud (“Alphonse”), François Truffaut (“Ferrand”),
Nathalie Baye (“Joelle”) e David Markham (“Dr. Nelson”)

Nota: ***** (ótimo)

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira;
BAFTA de Melhor Filme, Melhor Direção
e Melhor Atriz Coadjuvante (Cortese);
Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante (Cortese)
da Associação Nacional dos Críticos de Cinema dos EUA;
Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Atriz Coadjuvante (Cortese)
do Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York;
Melhor Filme do Sindicato Francês dos Críticos de Cinema.