novembro 27, 2010

**** VAMP E LÉSBICA: A LENDÁRIA ALLA NAZIMOVA


alla nazimova

Nascida na Rússia, ALLA NAZIMOVA (1879-1945), um dos monstros sagrados do cinema silencioso, cresceu numa família marcada pela violência de um pai brutal. Com o divórcio dos seus pais, terminou amparada por uma família suíça, sendo constamente estuprada por dois irmãos adotivos. De aspecto masculino e sem nenhum atrativo na adolescência, depois de estudar arte dramática em Moscou com Constantin Stanislavsky, renasceu de forma estilizada e atraente. Para pagar os seus estudos, prostituia-se nas ruas, até conhecer um senhor rico que a ajudou. Amiga dos dramaturgos Anton Tchecov e Máximo Gorki, tornou-se uma celebridade ao excursionar pela Europa com peças de Ibsen e Tchecov. De Londres, onde foi tratada como rainha, partiu para Nova York, iniciando uma relação amorosa com a líder feminista Emma Goldman e assinando contrato com Lee Schubert, um legendário produtor de teatro que lhe deu carta branca para escolher os personagens que desejava interpretar. Tornou-se uma grande estrela da Broadway, onde era chamada de Madame, introduzindo com sucesso nos Estados Unidos os textos de Henrik Ibsen, especialmente “Casa de Bonecas”, libelo da emancipação feminina.

Devido às numerosas relações da atriz com outras mulheres - entre elas, a mítica star da Broadway, Tallulah Bankhead,  Emma a abandonou. Como o homossexualismo era mal vista pelos puritanos, ela uniu-se num matrimônio de conveniência com um ator britânico abertamente gay, Charles Bryant, que viria a ser seu partner na maioria dos filmes. Estrela incontestável no teatro, Nazimova foi chamada por Hollywood, assinando em 1916 um contrato de 13.000 dólares semanais com a Metro-Goldwyn-Mayer com direito a escolher o diretor, o roteirista e o ator principal. O êxito foi imediato, estrelando onze filmes num período de três anos, todos com invejável sucesso. No auge da carreira, a atriz ao mesmo tempo animava e horrorizava Hollywood em sua suntuosa mansão de estilo espanhol na Sunset Boulevard, chamada de "Jardim de Alá", onde realizava festas regadas a orgias e drogas com o seu círculo sáfico. Nestes saraus, volta e meia Madame tocava piano e cantava com sua extraordinária voz de contralto, mantendo ao seu redor uma corte de discípulas/amantes, entre elas a cineasta Dorothy Arzner, a cenógrafa Natacha Rambova (futura esposa de Rudolph Valentino), a roteirista June Mathis e a milionária Mercedes de Acosta (que anos depois teria romances com Greta Garbo e Marlene Dietrich).

Quando a natureza de seus instintos sexuais se tornou pública, começou a ser rejeitada para filmes. Também foi acusada de comunismo. Arruinada, tentou o suicídio. O seu filme experimental “Afrodite” (1920), baseado em um romance de Pierre Louys, com cenas de amor lésbico e sexo entre mulheres, pressionado por entidades religiosas, foi proibido pela censura e os rolos queimados. Era a época em que os grupos religiosos estavam no auge de sua feroz campanha contra Hollywood, considerada a “cidade do pecado”. Realmente, o comportamento dos astros do cinema silencioso não era dos mais amenos: Chaplin sofrera processo por pedofilia, Wallace Berry por uso de drogas, o diretor Desmond Taylor fora misteriosamente assassinado, Clara Bow e Pola Negri eram conhecidas como ninfomaníacas, Barbara LaMarr morreu de overdose, a atriz lésbica Helen Menken terminou na cadeia, Valentino e Ramon Novarro homossexuais, e o comediante Fatty Arbuckle foi julgado pelo assassinato de uma jovem starlet, e teve uma brilhante carreira destruída. Perseguida, Madame Nazimova vendeu sua mansão, transformada em hotel com vários bangalôs, mas continuou vivendo em um deles pelo resto de sua vida. Com a repressão contra o lesbianismo acentuada na terra de Tio Sam, ela passou uma temporada em Paris, namorando a sobrinha de Oscar Wilde, Dolly.

De volta aos Estados Unidos, dedicou-se ao teatro ainda com imenso prestígio, só fazendo cinema outra vez na década de 1940. As suas películas mais controversas, "A Dama das Camélias" (1921, com Rudolph Valentino como Armand Duval) e "Salomé" (1923), são produções excelentes e vanguardistas. Os cenários art nouveau e o desempenho do elenco lento e teatral. Nada de naturalismo, o que há é um erotismo nervoso e fatalista. Em “Salomé”, produzido pela própria atriz, todo o elenco é homossexual. Nele, ALLA NAZIMOVA brilha como nunca, mas seus olhares de vamp são assustadores. Já em seus filmes falados, ela continuou surpreendendo com interpretações emocionantes. Caso de “Sangue e Areia” (1941), de Rouben Mamoulian, onde faz a pobre mãe do toureiro Juan Gallardo (Tyrone Power). Respondendo a uma jornalista se não achava um desmerecimento ela, Madame, fazer uma cena onde lavava o chão, Nazimova teria respondido: “Sou uma atriz. Vai ser o chão mais bem lavado da história do cinema”. No ano em que morreu, em 1945, vítima de uma trombose, aos 66 anos, publicou uma autobiografia reveladora. Dos seus 23 filmes, menos de meia dúzia sobreviveu. Mas que arte soberba nos revelam, que força inacreditável, que sensualismo, que dramaticidade. Trata-se de um mito plenamente justificado. Ela era grande.

alla nazimova e rudolph valentino em "a dama das camélias"

******* O CINEMA EXPRESSIONISTA ALEMÃO


"o gabinete do dr. caligari", de robert wiene

No começo do século 20, a produção da indústria cinematográfica alemã era relativamente pequena. Os dois mil cinemas do país germânico projetavam principalmente filmes estrangeiros. Para criar seus próprios filmes de propaganda, o governo resolveu apoiar o mercado cinematográfico. A produção se incrementou rapidamente: de uma dezena de pequenas companhias em 1911 a 131 em 1918. No final de 1917, surgiu a poderosa produtora UFA (abreviação de Universum Film  Aktiengesellchaft), que tinha os estúdios mais equipados da Europa. Mas a grande revolução do cinema mudo alemão aconteceu em 1919, através da Decla, uma companhia independente que fez um filme ao estilo expressionista, movimento então famoso nas artes plásticas, no teatro e na literatura, crendo evidentemente que isto poderia supor um triunfo no mercado internacional.

Esta crença resultou justificada quando o pouco convencional “O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wiene, uma produção barata, causou sensação em muitos países. A obra  transporta-nos  para um mundo de puro pesadelo, com cenários  desbotados  de  onde  se destacam   figuras geométricas  abruptas  e personagens alucinados. Todo cheio de sombras, cenários retorcidos e atuações acentuadas. Tudo girando sob o signo da angústia e do pessimismo. O interessante é o fato de o que poderia ter sido apenas uma experiência isolada, de cariz bizarro, se tornaria a fonte de uma imensa corrente que influenciou toda a história do cinema.

Graças ao sucesso desse filme, vieram outros no mesmo estilo, resultadando em um movimento estilístico cinematográfico que durou alguns anos. As grandes produtoras, como a UFA, assim como outras companhias menores, investiram no inovador com a finalidade de competir com os norte-americanos. De fato, em meados dos anos vinte, os filmes alemães mais destacados eram expressionistas e considerados os melhores do mundo. O horror, o fantástico e o crime são os temas dominantes. As formas são distorcidas e exageradas, nada realistas, com fins expressivos. Os atores, em geral, usam muita maquiagem e se movem de forma espasmódica ou lenta e sinuosa. E, o que é mais importante, todos estes elementos se interagem graficamente para criar uma composição global.

Uma combinação de circunstâncias conduziu ao desaparecimento do movimento, entre elas, a inflação galopante e uma tentação chamada Hollywood que arrebatou cineastas e atores germânicos. As últimas obras significativas, “Fausto”, de F. W. Murnau, e “Metrópolis”, de Fritz Lang, ambas de 1926, eram epopéias caras que contribuíram para as dificuldades financeiras da UFA, levando seu principal produtor, Erich Pommer, a abandonar a Alemanha e tentar a sorte noutros países. Para enfrentar a dura concorrência dos filmes de Tio Sam, os alemães infelizmente começaram a imitá-los, diluindo as qualidades únicas do estilo expressionista. Assim, em 1927, traído e abandonado, morria o famoso movimento.

Ainda que tenha durado somente uns oito anos, o expressionismo nunca desapareceu de todo como tendência estilística cinematográfica, influenciando filmes de terror e o cinema noir das décadas de 1940/50. Essa escola tem como principais diretores Friedrich Wilhelm Murnau, Fritz Lang, Robert Wiene, Paul Wegener e Paul Leni; como atores, Emil Jannings, Conrad Veidt, Werner Krauss, Lil Dagover, Brigitte Helm, Alfred Abel, Rudolf Klein-Rogge e Camilla Horn. Sou apaixonado pelo EXPRESSIONISMO ALEMAO em todas as suas vertentes artísticas. O meu filme favorito da época é "Fausto", a adaptação de Goethe por Murnau. Uma criação hipnotizante e espetacular.

brigitte helm

******* QUANTAS VEZES LIZ TAYLOR SE CASOU?


         
Reconhecida como a última grande estrela de Hollywood, a formosa britânica ELIZABETH TAYLOR reinou soberana durante quatro décadas, sendo seu período áureo de 1951 a 1969. Admirada por seus incríveis olhos de cor violeta, fez seu primeiro filme aos 10 anos e ganhou dois Oscar de Melhor Atriz, em 1960 como a prostituta Gloria Wandrous de “Disque Butterfield 8”, e em 1966 como a envelhecida e neurótica Martha do clássico “Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?”. Confesso que muito raramente ela me comoveu como atriz (estava admirável como anti-heroína fitzgeraldiana em "A Última Vez que Vi Paris"), principalmente por sua voz curta e enjoativa, mas respeito a sua trajetória impecável. Amiga íntima de atores gays como Montgomery Clift e Rock Hudson, compulsiva colecionadora de jóias, alcoólatra e com inúmeros problemas de saúde, tornou-se a atriz mais bem paga do mundo na década de 1960. Liz, como é mais conhecida, encheu páginas e mais páginas de tablóides e colunas de fofocas com os seus rumorosos casamentos. Oito ao todo. "Para mim, a felicidade se resume em colecionar amores", declarou certa vez.

Aos 18 anos, em 1950, casou-se com Conrad Hilton Júnior, rico herdeiro de uma cadeia de hotéis e tio-avô de Paris Hilton. Quando a atriz abortou involuntariamente, depois de ter sido espancada pelo marido, pediu o divórcio. Estava casada há oito meses;

Em 1952, veio o casamento com o empostado ator inglês Michael Wilding, 20 anos mais velho. Resistiu cinco anos e gerou dois filhos;

O terceiro marido, o milionário e produtor de cinema Mike Todd (Oscar por "A Volta ao Mundo em 80 Dias"), considerado um dos seus maiores amores, morreu num acidente aéreo antes de completar um ano de casado, em 1958;

Em 1959, Liz estava nos braços do cantor Eddie Fisher, viciado em drogas, marido de sua amiga Debbie Reynolds e melhor amigo de seu falecido marido. Chamada de destruidora de lares, no primeiro escândalo de sua carreira, ficou três anos com ele até se divorciarem;

Durante as filmagens de “Cleópatra”, em 1963, conheceu Richard Burton, terminando por casar duas vezes com ele, em 1964 e 1975, sendo que a segunda união durou apenas nove meses. Um romance tempestuoso marcado por brigas homéricas, infidelidades e muito uísque;

Aos 44 anos, em 1976, casou com o senador republicano John Warner. Divorciaram-se em 1981;

Em 1991, chocou o mundo ao anunciar seu oitavo casamento com o caminhoneiro e operário de construção Larry Fortensky, 22 anos mais jovem que a atriz. Eles se conheceram na Betty Ford Clinic tratando-se de alcoolismo e a celebração ocorreu no rancho Neverland, de Michael Jackson, custando uma fortuna. Em 1996, veio o divórcio, com ela alegando diferenças irreconciliáveis;

Atualmente com 78 anos, ELIZABETH TAYLOR desde 2007 vive com o empresário Jason Winters. “O Jason é um dos homens mais maravilhosos que conheci”, disse a atriz, que conheceu o namorado durante uma viagem ao Havaí. Entretanto, parece estar escaldada, afinal ainda não se casou oficialmente com ele.

o primeiro casamento: com conrad hilton jr.

novembro 20, 2010

**** MARLENE DIETRICH POR MANUEL BANDEIRA


marlene dietrich

"Ainda será tempo de falar de MARLENE DIETRICH? Não a vi quando de sua passagem pelo Rio de Janeiro: televi-a apenas, o que não é a mesma coisa, sobretudo levando em conta como foi tecnicamente imperfeita a sua apresentação (viam-se mais as costas do locutor do que a figura da artista). Todavia, resistiu ela a tudo o que, desde “O Anjo Azul”, me impressionou como essencial no extraordinário encanto da mulher Marlene – aquele sorriso de olhar infinitamente apiedado e que parece dizer-nos, sem gosma de sentimentalismo, aliás: “Criança, a vida é tão absurda, tão triste!”. Mas a vinda de Marlene proporcionou-nos um espetáculo bem divertido, que foi a polêmica entre os cronistas Carlos Drummond de Andrade e Vinicius de Moraes. Defendendo cada um a sua estrela, Drummond, Greta Garbo, e Vinicius a Marlene, reviveram ambos galhardamente os dias românticos em que Castro Alves e Tobias Barreto se digladiavam no Recife por causa de duas artistas da mesma companhia no Teatro Santa Isabel.

Para Vinicius, Marlene é a mulher, talvez a mulher-idéia de Platão, ou o Eterno Feminino de Goethe; para Carlos Drummond de Andrade, a Garbo é um mito. Vinicius tomou nojo da sueca porque a viu, num coquetel de Madame Schiappparelli, recusar uma beberagem estranha onde boiava uma pétala de rosa e pedir vodca. Tive vontade de acudir em auxílio de Drummond, fornecendo-lhe certo trecho de carta de Vinicius, datada de 1949 em Hollywood, na qual o poeta me contava a sideração em que ficara ao cruzar na rua com o Mito. Mas procurei a carta e não a achei. Achei foi outra, em que ele me falava de Marlene: “Você sabe, ela está cada dia mais linda, mais elegante, mais tudo. É uma mulher incrível, sem o menor desgaste, e de uma naturalidade fantástica. Tira fotografias de publicidade com o netinho, sem dar a menor bola para a legião de apaixonados que tem aí – por esse mundo todo. Eu, depois que a vi com o neto ao colo, fiquei mais apaixonado do que nunca. Imagine você a gente a...”. Bem, não posso transcrever o resto, mas a avó Marlene tentava o poeta. “Isso nunca me aconteceu, pelo menos que eu soubesse”, concluía Vinicius.

Quanto a mim, o que me ficou de todos os filmes em que vi Marlene foi aquele sorriso a que me referi no começo destas linhas. Lembro-me fortemente é de seus partners: Emil Jannings no “Anjo Azul”, Gary Cooper em “Marrocos”, ao passo que da Garbo me recordo nitidamente, indeslembravelmente, em todos os filmes, sem ter a menor reminiscência dos homens – e eram todos astros – que trabalharam com ela".

(Fonte: Folha da Manhã, 09/08/1959)

Marlene Dietrich

************ A FORÇA BRUTA DE JEAN GABIN


jean gabin

Maior ator francês de todos os tempos, JEAN GABIN (1904-1976) era filho de modestos cantores do campo. Rebelde e pouco dado a qualquer estudo ou ocupação, foi obrigado pelo pai a fazer teatro como último recurso. De 1923 a 1930 apareceu em numerosas revistas musicais, inclusive atuando ao lado da célebre Mistinguette. Com o nascimento do cinema falado, debutou na opereta “Chacun as Chance”, fazendo seguidamente uma série de filmes sem importância. Em 1934, apadrinhado por Julien Duvivier, seu talento foi lapidado em “Marie Chapdelaine”, um belo filme pleno de sinceridade, sensibilidade e sutileza. Nunca mais a fama o abandonou. Com Duvivier – considerado por Gabin o seu “criador” – o ator faria “Gólgota” (1935), “A Bandera” (1936), “Camaradas” (1936) e “O Demônio da Algéria”, um sucesso mundial e talvez o melhor filme do diretor.

Sob a direção do mestre Jean Renoir, interpretou “Les Bas-fonds” (1936), “A Grande Ilusão” (1937) e uma das suas máximas interpretações, “A Besta Humana” (1938). Neste momento grandioso do Realismo Poético francês, filmou duas outras obras-primas, “Cais das Sombras” (1938) e “Trágico Amanhecer” (1939), ambos de Marcel Carné. Quando os nazistas invadiram a França, Gabin partiu para Hollywood, onde faz dois filmes menores: “Brumas” (1942), com Ida Lupino, e “O Impostor” (1943). Ainda em Hollywood, tem um ardente romance com Marlene Dietrich. Filmaram juntos, já na França, “Martin Roumagnac” (1946), de Georges Lacombe, onde Gabin vive um empreiteiro, numa pequena cidade, que se enamora de uma aventureira. Depois da Guerra, ele retorna ao seu reduto, disposto a reconquistar o seu público. Filma com René Clement, Carné, Max Ophuls, Renoir e Jacques Becker, incorporando uma grande quantidade de personagens, entre eles o inspetor Maigret das novelas policiais de Georges Simenon. Salvo uma ou outra exceção, seus filmes dos anos 1950 aos 1870 são dirigidos por artesãos competentes e comerciais, sem força criadora, tornando JEAN GABIN um dos fenômenos de bilheteria da França.

O astro investiu toda a sua fortuna no campo, criando vacas e apoiando politicamente aos humildes camponeses. Ele dizia que não era ator, e sim camponês e pai de família. “O cinema é vento, ilusão, pompa, passa como uma nuvem. O que fica depois de uma filmagem? A glória! Eu não trabalho pensando na glória. Não me interessa. Trabalho pelo dinheiro, dinheiro que não calculo em francos, mas em vacas para as minhas fazendas. O campo e os animais são a minha vida”, declarou o ator. Ainda assim, mesmo contra sua própria vontade, durante cinco décadas foi venerado como um grande ator. Honrado, de caráter firme, um tanto difícil, tinha um sentido de dever profissional que não permitia atrasos ou amadorismos. Dele, disse Jean Renoir: “É um verdadeiro ator de cinema, um Ator com um A maiscúlo. É uma força cinematográfica, é fantástico, é incrível. Tudo isso vem de uma profunda honestidade. É com certeza o homem mais honesto que encontrei em minha vida. Honestidade semelhante somente encontrei em Ingrid Bergman”. No seu último filme, “O Ano Santo” (1976), de Jean Girault, Gabin interpretou um velho bandido. Morreu de um infarto agudo de miocardio. Seu corpo recebeu honras militares e as cinzas foram espalhadas no mar.

marlene dietrich e jean gabin em "martin roumagnac"

************ OS FOTÓGRAFOS E O OSCAR


"como era verde o meu vale", fotografia de arthur c. miller

LEON SHAMROY (1901-1974). Nascido em Nova York, detém com Charles B. Lang Jr. o recorde de maior números de indicações ao Oscar de Melhor Fotografia. Ele conquistou dezoito indicações, com quatro vitórias: “O Cisne Negro” (1942), “Wilsom” (1944), “Amar Foi a Minha Ruína” (1945) e “Cleópatra” (1963).

JOSEPH RUTTENBERG (1889-1993). Nomeado ao Oscar dez vezes, ganhou quatro: “A Grande Valsa” (1938), “Rosa da Esperança” (1942), “Marcado pela Sarjeta” (1956) e “Gigi” (1958). Nascido na Rússia, aos dez anos emigrou para os Estados Unidos. Em 1917 já estava por trás das câmeras, iniciando uma carreira bem-sucedida vinculada a Metro-Goldwyn-Mayer.

ROBERT L. SURTEES (1906-1985). Nascido no Kentucky (EUA), levou o Oscar três vezes: “As Minas do Rei Salomão” (1950), “Assim Estava Escrito” (1950) e “Ben-Hur” (1959). Começou como assistente do genial Gregg Toland, tornando-se um dos profissionais mais cotados do cinema.

CONRAD L. HALL (1926-2003). Nasceu no Tahiti, Polinésia Francesa. Fotografou documentários, filmes de tevê e produções independentes, antes de receber três prêmios da Academia por “Butch Cassidy” (1969), “Beleza Americana” (1999) e “Estrada para Perdição” (2002). Foi nomeado mais sete vezes.

ARTHUR C. MILLER (1895-1970). Nascido em Nova York, iniciou sua carreira aos 13 anos. Em 1932, assinou longo contrato com a 20th Century-Fox. Nomeado sete vezes ao Oscar, ganhou em 1941 com “Como Era Verde o Meu Vale”, de John Ford; de novo em 1944 com “A Canção de Bernadette”, e uma terceira vez em 1947 com “Ana e o Rei do Sião”. Aposentou-se em 1951.

FREDERICK A. YOUNG (1902-1998). Um dos fotógrafos mais ilustres da Grã-Bretanha, conhecido por seu trabalho com o mestre David Lean: “Lawrence da Arábia” (1962), “Doutor Jivago” (1965) e “A Filha de Ryan” (1972). Todos esses lhe deram o Oscar. Fotografou mais de 130 filmes.

VITTORIO STORARO (1940). Nascido em Roma (Itália) e chamado “o mago da luz”, tem o pintor Caravaggio como inspiração para a fotografia de seus filmes. Para ele, fotografar é como “escrever com a luz”. Premiado três vezes com o Oscar – “Apocalipse Now” (1979), “Reds” (1981) e “O Último Imperador” (1987) -, também foi indicado por “Dick Tracy” (1990).


******* UM AMOR LOUCO: INGRID E ROSSELLINI


rossellini e ingrid

Em maio de 1948, o cineasta neo-realista ROBERTO ROSSELLINI recebeu uma carta assinada pela maior estrela hollywoodiana da época:

“Vi seus filmes ‘Roma Cidade Aberta’ e ‘Paisà’ e gostei muito. Se você precisar de uma atriz sueca que não fala muito bem inglês, que não esqueceu seu alemão, não é muito compreensível em francês e em italiano só sabe dizer ‘Ti amo’, estou pronta para fazermos um filme.”

A sueca em questão era INGRID BERGMAN aos 33 anos. O italiano Rossellini, casado com a diva Anna Magnani, aceitou a proposta sem vacilar. De 1949 a 1955, fizeram seis filmes (“Stromboli”, “Europa 51”, “Viagem a Itália”, “Nós, as Mulheres”, “Joana D’Arc de Rossellini” e “O Medo”), apaixonaram-se e abandonaram as respectivas famílias para viverem juntos. Esse amor louco fez com que Ingrid fosse acusada de adúltera e de mau exemplo para todas as mulheres do mundo. Durante anos foram perseguidos pela mídia e pela classe religiosa. Com Rossellini, Ingrid teve três filhos: Roberto e as gêmeas Isotta Ingrid e a atriz Isabella.

O casamento durou até 1957, quando se divorciaram depois que o diretor foi filmar um documentário na Índia e teve um caso tórrido com a roteirista Sonali Das Gupta. Pia, a filha de Ingrid, depôs a favor do pai no processo litigioso de divórcio, acusando a mãe de abandono. Entretanto, Hollywood já havia “perdoado” a estrela, e em 1956, voltou triunfalmente com “Anastasia, a Princesa Esquecida”, de Anatole Litvak, levando o seu segundo Oscar e outros prêmios importantes. Um dos filmes do casal, “Viagem a Itália” (1953), é considerado um dos marcos do cinema moderno. Jean-Luc Godard e François Truffaut afirmaram que ele foi a base sobre a qual se construiu a cadetral da Nouvelle Vague.

ingrid bergman

**************** 100 ANOS 100 FILMES


cidadão kane

O AMERICAN FILM INSTITUTE (AFI), criado em 1967 e especializado na preservação de filmes antigos sujeitos à degradação, em 1998, com o 100° aniversário do cinema norte-americano, formulou uma famosa lista dos 100 melhores filmes norte-americanos. Reproduzo os 31 primeiros, finalizando com o nosso “O Falcão Maltês”. Seguramente a minha lista seria diferente. De Orson Welles, prefiro “A Marca da Maldade”; de Hitchcock, “Os Pássaros”; de Polanski, “O Bebê de Rosemary”. E você?

01. CIDADÃO KANE (Orson Welles, 1941) - Drama

02. O PODEROSO CHEFÃO (Francis Ford Coppola, 1972)

- Criminal

03. CASABLANCA (
Michael Curtiz, 1942) - Drama

04. TOURO INDOMÁVEL (
Martin Scorcese, 1980) - Drama

05. CANTANDO NA CHUVA (Gene Kelly e Stanley Donen, 1952)

- Musical

06. E O VENTO LEVOU (
Victor Fleming, 1939) - Drama

07. LAWRENCE DA ARÁBIA (
David Lean, 1962) - Épico

08. A LISTA DE SCHINDLER (
Steven Spielberg, 1993) - Guerra

09. UM CORPO QUE CAI (
Alfred Hitchcock, 1958) - Suspense

10. O MÁGICO DE OZ (
Victor Fleming, 1939) - Infantil

11. LUZES DA CIDADE (
Charles Chaplin, 1931) - Comédia

12. RASTROS DE ÓDIO
(John Ford, 1956) - Western

13.
GUERRA NAS ESTRELAS (George Lucas, 1977)

– Ficção-Científica

14.
PSICOSE (
Alfred Hitchcock, 1960) - Suspense

15.
2001 - UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO (Stanley Kubrick, 1968)

– Ficção-Científica

16. CREPÚSCULO DOS DEUSES (Billy Wilder
, 1950) - Drama

17. A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM (Mike Nichols, 1967)

- Comédia

18. A GENERAL (Clyde Bruckman
, 1927) - Comédia

19.  SINDICATO DE LADRÕES (Elia Kazan
, 1954) - Drama

20.  A FELICIDADE NÃO SE COMPRA (Frank Capra
, 1946) - Comédia

21. CHINATOWN (Roman Polanski
, 1974) - Policial

22. QUANTO MAIS QUENTE MELHOR (Billy Wilder, 1956)

– GLS/Comédia

23. AS VINHAS DA IRA (John Ford
, 1940) - Drama

24. ET, O EXTRATERRESTRE (Steven Spielberg, 1982)

– Ficção-Científica

25. O SOL É PARA TODOS (Robert Mulligan
, 1962) - Drama

26. A MULHER FAZ O HOMEM (Frank Capra
, 1939) - Comédia

27. MATAR OU MORRER (Fred Zinnemann
, 1952) - Western

28. A MALVADA (Joseph L. Mankiewicz
, 1950) - Drama

29. PACTO DE SANGUE (Billy Wilder
, 1944) - Policial

30. APOCALIPSE NOW (Francis Ford Coppola
, 1979) - Guerra

31. O FALCÃO MALTÊS (John Huston, 1941) - Policial


novembro 10, 2010

****** WALTER SALLES COM O PÉ NA ESTRADA


walter salles

Passados 30 anos a Geração Beat ainda continua fascinando. Talvez porque ensaiou um modo rebelde de ser jovem ainda hoje imitado. Atacado pela imprensa conservadora da época, a definição Beat foi pejorativamente divulgada como “beatnik”, numa alusão ao Sputnik lançado ao espaço pelos soviéticos. Esse estilo de vida não somente mudou costumes como também exerceu uma constante influência na poesia, no cinema e na música. Prova disso é o novo filme do carioca WALTER SALLES (o diretor de “Central do Brasil”), ON THE ROAD/Pé na Estrada, uma adaptação do célebre livro homônimo do escritor da contracultura Jack Kerouac. O filme está sendo co-produzido pela American Zoetrope, de Francis Ford Coppola, que detém os direitos do livro para o cinema desde 1979 e nunca conseguiu tirar o projeto da gaveta. Gus Van Sant também tentou dirigi-lo. Até Walter Salles chegou a acreditar que tampouco conseguiria tirar o projeto do papel. Ele dizia que precisaria de um “milagre” para que “On the Road” deixasse de ser o filme de seus sonhos para se materializar nos cinemas. Rodado em locações nos Estados Unidos, no Canadá e no México, o filme tem no elenco Viggo Mortensen, Kristen Stewart, Kirsten Dust, Alice Braga e Amy Adams. A estréia está prevista para 2011.


Salles reverteu todas as dificuldades com uma enorme dedicação: fez uma longa viagem pelos EUA, atrás dos locais e das pessoas citadas por Kerouac em seu livro, e fez dessa pesquisa um documentário, "Em busca de On the Road", ainda inédito. Para quem ainda não leu “On the Road”, traduzido no Brasil como “Pé na Estrada”, tem uma séria falha em sua formação cultural. O livro, fortemente autobiográfico, foi eleito pela revista “Time” como um dos 100 melhores livros escritos na língua inglesa no século 20. Lançado em 1958, transformou Jack Kerouac em estrela pop literária e abriu caminho para uma geração desapegada, mais livre, contestatória, boêmia, fã de jazz e revolucionária.


CONVERSANDO

A história de "On the road" pode ter o mesmo efeito nos jovens de hoje como teve nos anos 1950 e 1960? Por exemplo: será que a idéia de ultrapassar os limites, ir além das fronteiras, será que isso tudo ainda teria o mesmo efeito?

SALLES: A viagem aqui é, basicamente, interior. Estamos falando de personagens que tiveram a coragem de se reinventar contra a sua época, contra tudo e contra todos. Em muitos casos, os anos que estamos vivendo são tão conservadores quanto os anos 50. É nisso que essa história é interessante: ela permite entender que, mesmo quando tudo conspira contra, é possível inventar novas formas de nos relacionar com o mundo. Repensar o conceito de família, as relações afetivas, o sexo. Essa qualidade libertária e também transgressora é o que torna a história tão moderna.

Qual foi sua principal descoberta na pesquisa?

SALLES: Cruzando os Estados Unidos de ponta a ponta nos passos de Kerouac, encontramos não só os personagens do livro que ainda estão vivos, mas também os poetas da sua geração. Acabei percebendo que esses homens e mulheres que tiveram a coragem de abrir essas janelas nos anos 50 e 60 são muito mais jovens do que muitos jovens de hoje em dia.

(Fragmento de entrevista publicada em “O Globo”)


******* SALA VIP: "O JARDIM DOS FINZI CONTINI"


dominique sanda e lino capolicchio

O JARDIM DOS FINZI CONTINI
IL GIARDINO DEI FINZI CONTINI
(1970)

País: Itália e Alemanha
Duração: 94 mins.

Gênero: Drama
Cor
Produção: Gianni Hecht Lucari e Arthur Cohn
(Documento Film/CC-Filmkunst)
Direção: Vittorio De Sica
Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli
Adaptação do romance de Giorgio Bassani
Fotografia: Ennio Guarnieri
Edição: Adriana Novelli
Música: Manuel De Sica
Cenografia: Giancarlo Bartolini Salimbeni (d.a.);
Franco D’Andria (déc.)
Vestuário: Antonio Randaccio
Elenco:
Lino Capolicchio (“Giorgio”), Dominique Sanda (“Micòl Finzi Contini”), 
Fabio Testi (“Bruno Malnate”), Romolo Valli (“Giorgio pai”), 
Helmut Berger (“Alberto”), Camillo Cesarei,
Inna Alexeieff, Katina Morisani e Barbara Leonard Pilavin

Nota: **** (muito bom)

Prêmios:
Oscar de Melhor Filme Estrangeiro
Urso de Ouro (Melhor Diretor) no Festival de Berlin
David di Donatello de Melhor Filme
Melhor Diretor Estrangeiro do Círculo dos Críticos 
de Cinema de Kansas City

AMOR EM TEMPO DE GUERRA

Adaptação de um tocante romance homônimo de Giorgio Bassani, situado na Segunda Guerra Mundial, segue os avatares de uma rica família judia italiana, na região de Ferrara, em plena opressão fascista. Neste ambiente bélico se situa o mundo irreal de uma classe privilegiada que continua com suas ocupações habituais e enlaces amorosos românticos, como se nada estivesse acontecendo de perverso. Embora bem realizado, lembrando muitas vezes Visconti e Bolognini, está longe dos melhores trabalhos de seu diretor, Vittorio De Sica. Com um emocionante e previsível desfecho trágico (todos os judeus ricos e pobres sofrem o mesmo destino) e intensas interpretações de todo o elenco, desde o Giorgio de Lino Capolicchio a Micol de Dominique Sanda (esplêndida, seu rosto na última sequência nos faz ver tudo o que seu personagem perdeu), Helmut Berger como o irmão tísico de Sanda e Romolo Valli, como o pai judeu e fascista de Capolicchio que vê como todas as suas idéias políticas estavam equivocadas. Destaque para a poética fotografia de Ennio Guarnieri, os falshbacks da juventude dos protagonistas burgueses e a sugerida homossexualidade do Alberto de Berger e seu amor pelo amigo mulherengo interpretado por Fabio Testi. Não é um filme fácil, os personagens demonstram mais os sentimentos pelos olhares e muito pouco pelos diálogos. Esses desejos não são resolvidos: ninguém é amado pela pessoa desejada. Bastante premiado e hoje esquecido, vale também pelo pungente alerta às pessoas que não ousam confessar o amor que sentem e terminam sendo atropoledas pelo destino.


*********** DOUGLAS SIRK POR FASSBINDER


douglas sirk

Durante o inverno de 1970, RAINER WERNER FASSBINDER descobriu os filmes realizados nos Estados Unidos por DOUGLAS SIRK, num impacto que influenciou sua própria obra até sua morte em junho de 1982. Ansioso com a descoberta, viaja a Suíça para entrevistar o compatriota em fevereiro de 1971. A admiração mútua que ambos sentiram foi tal que, além de uma forte amizade, Fassbinder protagonizou em 1977 um curta de Sirk intitulado “Bourbon Street Blues”. Reproduzimos fragmento do artigo surgido a partir desse encontro inicial:

“Em Lugano, na Suíça, vive o homem mais vivo e mais inteligente que já conheci e que, com um sorriso feliz quase imperceptível, disse: “Às vezes eu amei muito, verdadeiramente muito, as coisas que fiz”. Ele amou, por exemplo, o filme, “Tudo Que o Céu Permite“ (1955). Sirk ainda disse: “O cinema é sangue, lágrimas, violência, ódio, morte e amor”. E Sirk fez filmes de sangue e lágrimas, de violência e ódio, filmes de morte e filmes de amor. Ele também disse: “A filosofia de um cineasta está na iluminação e no enquadramento”. E Sirk fez os filmes mais ternos que conheço; filmes de um homem que ama as pessoas em vez de desprezá-las como fazemos. Educado na tradição germânica estritamente clássica, ele primeiro trabalhou no teatro. Este homem instruído também era um homem culto que chegou a conhecer Kafka pessoalmente. Em 1937, depois de rodar alguns filmes na Alemanha para a UFA, Detlef Sierck emigrou para os Estados Unidos, mudou seu nome para Douglas Sirk e dirigiu uns filmes que fizeram muita gente feliz.

Tentei escrever sobre seis filmes – “Sublime Obsessão”, “Tudo que o Céu Permite”, “Palavras ao Vento”, “Almas Maculadas”, “Amar e Morrer” e “Imitação da Vida” - de Douglas Sirk e descobri a dificuldade de escrever sobre filmes que falam da vida e que não são literatura. Deixei de lado muitas coisas que poderia falar mais profundamente. Não falei bastante da iluminação: da sua precisão, de como ajuda a Sirk a transformar a história que tem que contar. Seu único rival neste terreno é Josef Von Sternberg. Tampouco falei da decoração de interiores que Douglas Sirk construía. De sua incrível exatidão. E não afirmei que Sirk é um diretor que obtém o máximo dos atores. Nos seus filmes, inclusive zombies como Marianne Koch e Liselotte Pulver parecem autênticos seres humanos em que podemos e queremos crer. Realmente vi poucos filmes de Sirk. Gostaria de ter visto a todos, seus vinte e nove filmes. Se houvesse feito isso, quem sabe haveria me aprofundado mais em mim mesmo, na minha vida, nos meus amigos. Eu vi seis filmes de Douglas Sirk, e entre eles se encontram os mais belos filmes do mundo”.

(Fonte: revista “Fernsehen und Film”, 1971)

O alemão DOUGLAS SIRK (1900-1987), um dos grandes cineastas da plenitude de Hollywood, considerado o mestre do melodrama, em 1937 se exilou da Alemanha Nazista, realizando alguns dos filmes mais atraentes e bem sucedidos do cinema norte-americano. Hábil no jogo de dramatização de espaços e na direção de atores, dirigiu sua primeira obra em Hollywood em 1942: “O Capanga de Hitler”, com John Carradine como protagonista. Entre o longa de estréia e “Imitação da Vida” (1958), último de seus filmes, Sirk realizou, quase sempre nos estúdios da Universal, uma elegante filmografia de 29 títulos, alguns dos quais verdadeiras jóias, sem contar a aceitação popular que lotava cinemas. Sua habilidade na direção de atores consolidou a carreira de Rock Hudson, Jane Wyman, Robert Stack, Dorothy Malone, Barbara Rush e John Gavin. Seus filmes de colorido exuberante são parte do melhor da história do cinema, dando dignidade ao melodrama. Em 1959 aposentou-se do cinema e voltou a se estabelecer na Europa, lecionando na Escola de Cinema de Munique. Morreu em Lugano, na Suíça, quase trinta anos depois, vítima de câncer, com apenas breves retornos por trás da câmera, na Alemanha, na década de 1970, filmando três curtas-metragens dramáticos baseados em peças de Tennessee Williams e Arthur Schnitzler.

john gavin e lana turner em "imitação da vida", de douglas sirk

novembro 04, 2010

********************* ESTRELAS NUAS



Em 1949, a futura mais famosa loira platinada do cinema, Marilyn Monroe, então uma jovem modelo, posou nua para o calendário “Golden Dreams”, do fotógrafo Tom Kelley. Estava desempregada, sem dinheiro e jurava que não seria reconhecida. A atriz ganhou apenas 50 dólares e duas das 24 fotos foram para o disputado calendário que praticamente parou a nação de Tio Sam. Quatro anos depois, uma dessas cobiçadas fotos estamparia a capa da edição de lançamento da revista “Playboy”. Algo parecido aconteceu com YUL BRYNNER em 1942, na França, antes de se tornar uma celebridade e ainda protegido de Jean Cocteau, um escritor e cineasta homossexual. Ele posou totalmente pelado para as lentes do talentoso George Platt Lynes. Na década seguinte, esses retratos do ator conhecido pela cabeça raspada – mas que não era careca - e papéis exóticos, foram disputados por colecionadores. São fotos belas e sensuais. Imagine o escândalo. Na época, o nu era tabu. As fotos de Yul podem ser vistas num museu na sua cidade natal, a russa Vladvostock.

Rudolph Valentino, Louise Brooks, Ramon Novarro, Errol Flynn e Burt Lancaster também devem ter se arrependido dos ensaios fotográficos sem roupa que ousaram fazer antes da consagração no cinema. Já Carmen Miranda e Victor Mature foram flagrados por paparazzis e essas fotografias correram mundo. A falada foto da cantora-atriz brasileira com o sexo à mostra, nos braços de César Romero durante ensaio de uma cena de dança, foi considerada obscena e duramente criticada. Mature, lendo nu no seu camarim, no intervalo entre uma cena e outra de “Sansão e Dalila”, revela o membro bem dotado, e tal imagem pirateada rodou durante anos no mercado negro. Tenho todas essas elas. Pena que não posso expô-las neste blog. Em maio de 1986, a revista Playgirl Magazine publicou a maioria delas, numa matéria com o título “Hollywood's Legendary Lovers Nude”.

O nudismo de uma formosa atriz também provocou falatório nos primeiros anos da década de 30. Considerada uma das mais formosas estrelas da história do cinema, lembrada principalmente pela Dalila de Cecil B. DeMille e inspiração de Walt Disney para o desenho de Branca de Neve, a austríaca HEDY LAMARR (ainda como Hedy Kiesler) conquistou a fama aparecendo nua no impetuoso “Êxtase” (1933). Aos 20 anos, era a sua primeira atuação nas telas. Desnuda, Hedy corre entre árvores e mergulha num rio. O filme acabou por ser retirado de cartaz e a maioria de suas cópias queimadas. Por causa do escarcéu, levou uma brutal surra do marido, um milionário fabricante de armas, que gastou mais de 300 mil dólares para incinerar as cópias disponíveis na Europa. Hedy drogou a criada que a vigiava e fugiu para a Inglaterra. Em 1937, em Hollywood, filmou “Argélia” e se tornou uma estrela. O resto é história. Na sua biografia, disse que a sua beleza foi uma maldição, por tê-la afastado da sua verdadeira vocação, a física.

yul brynner

YUL BRYNNER 
(filmes selecionados)

O REI E EU (1956), de Walter Lang - Musical
Com: Deborah Kerr e Rita Moreno
Cor – Legendado – 133 mins.
Oscar de Melhor Ator
Melhor Ator do National Board of Review

ANASTÁCIA, A PRINCESA ESQUECIDA (1956),
de Anatole Litvak – Drama
Com: Ingrid Bergman, Helen Hayes e Akim Tamiroff
Cor – Legendado – 105 mins.

OS DEZ MANDAMENTOS (1956), de Cecil B. DeMille - Épico
Com: Charlton Heston, Anne Baxter, Edward G. Robinson
e Yvonne De Carlo
Cor – Legendado – 232 mins.

OS IRMÃOS KARAMAZOV (1957), de Richard Brooks - Drama
Com: Maria Schell, Claire Bloom e Lee J. Cobb
Cor – Dublado – 146 mins.

O CORSÁRIO SEM PÁTRIA (1958), de Anthony Quinn - Aventura
Com: Charlton Heston, Claire Bloom e Charles Boyer
Cor – Legendado – 119 mins.

SALOMÃO E A RAINHA DE SABÁ (1959), de King Vidor - Épico
Com: Gina Lollobrigida e George Sanders
Cor – Legendado – 139 mins.

SETE HOMENS E UM DESTINO (1960), de John Sturges - Western
Com: Eli Wallach, Steve McQueen e Charles Bronson
Cor – Legendado – 128 mins.

OS REIS DO SOL (1964), de J. Lee Thompson - Aventura
Com: Shirley Anne Field e Richard Basehart
Cor – Legendado – 108 mins.

MORITURI (1965), de Bernhard Wicki - Guerra
Com: Marlon Brando e Trevor Howard
P & B – Legendado – 128 mins.

hedy lamarr

HEDY LAMARR 
(filmes selecionados)

ÊXTASE (1933), de Gustav Machaty – Drama
P & B – Legendado – 82 mins.

ARGÉLIA (1938), de John Cromwell – Aventura
Com: Charles Boyer
P & B – Legendado – 95 mins.

INIMIGO X (1940), de King Vidor – Comédia
Com: Clark Gable e Oscar Homolka
P & B – Dublado – 90 mins.

IDÍLIO PERIGOSO (1944), de Jacques Tourneur – Suspense
Com: George Brent e Paul Lukas
P & B – Legendado – 91 mins.

SANSÃO E DALILA (1949), de Cecil B. deMille – Épico Religioso
Com: Victor Mature, George Sanders e Angela Lansbury
Cor – Legendado – 128 mins.

O VALE DA AMBIÇÃO (1950), de John Farrow - Western
Com: Ray Milland e MacDonald Carey
Cor – Legendado – 84 mins.